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Mostrando postagens de Maio, 2013

Poema: Os Segredos de Enin

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Nasci no brejo gelado e fui arrancada pela mão forte de um mulato
Fui posta ao sol, onde sequei, fui arrumada e amarrada E agora Taboa já não me chamava
No mercado repousei ao lado de ervas frescas Meu nome agora era Esteira Valia pouco, mas logo fui levada 
Senti a agua fria O sangue quente E as lágrimas salgadas
Ouvi o paó que rompia a madrugada Ouvi o som do adjá Ouvi o bater forte do coração
Apoie o medo do desconhecido Apoiei cabeças raspadas E cuidadosamente pintadas
Sobre mim repousam homens Sobre mim repousam deuses Sobre mim repousam a vida e a morte
Fui Taboa Virei Esteira E eternamente serei Enin
- Babá Diego de Odé -
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Preparando novos zeladores de Orixá

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Quando falamos do futuro do candomblé, não temos como não pensar no tipo de zeladores que irão surgir e como ajudar as próximas gerações. Eu acredito que somos apenas uma passagem nessa terra e nossa missão é deixar tudo arrumado e o mais estruturado para que nossos filhos e netos herdem um mundo melhor e assim é na religião.

Leio muitas gente criticando os mais novos, dizendo que estamos no caminho errado, pois questionamentos a velha política do "manda quem pode e obedece quem tem juízo" e que vamos acabar caindo nas mesmas situações e vendo que eles estavam certos. Concordo que a hierarquia seja importante, ela nos protege com a sua experiência e com os bons conselhos, mas sou terminantemente contra os abusos gerados pelo mau uso do poder hierárquico. Porque ao invés de criticar, não preparar, não dar treinamento e orientação para os filhos que nasceram ory aladè, ou seja, coroados? Por ciumes? Medo? O que será que motiva tantos babás e iyás a não incentivar e apoiar os no…

O Candomblé de Oxossi

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Foram dois meses de preparativos para os festejos do meu Pai Odé. Passamos horas conversando e discutindo sobre decoração, lembrancinhas, esquema administrativo e etc. Tudo isso nos ajudou a nos aproximarmos, conhecer melhor um ao outro, fortalecendo assim nossos laços de amizade. Um candomblé não acontece do nada, ele é o resultado da união dos esforços e sacrificios pessoais de cada filho do axé.
No começo, eu tive muito medo de delegar funções, pois eu tinha muito receio de me decepcionar, mas eu vi que os meus flhos, estão mais que preparados para tocar um candomblé. Como diria meu pai, agente morre de medo, mas uma hora temos que tirar as rodinhas da bicleta. Apesar de tudo ter saído melhor que eu esperava, existem e sempre vão existir pontos que devemos corrigir e um deles é a questão dos cargos que eu havia proposto nas reuniões que antecederam o evento. Fiquei surpreso e um pouco desapontado com a postura de algumas pessoas que transformaram isso em um bicho de sete cabeças e e…

Abuso do Poder – Quem dá, pode tirar?

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Diariamente, recebo diversos e-mails e tento de verdade responder a todos, posso demorar mais leio cada um, afinal a pessoa quem me escreveu teve confiança e carinho para dividir comigo sua história.
E hoje um e-mail do começo de abril/2013 me chamou atenção. Um rapaz do interior de Minas Gerais me relatou que foi iniciado em Minas e sua iyálorixá faleceu antes dele completar sete anos de santo e como ela era muito rígida, ele tinha poucas fotos que provassem sua obrigação. Então ele decidiu procurar um zelador do Rio de Janeiro e com ele jogou, até o momento Ifá e o dito Pai de santo, confirmou sua idade, sua iniciação e assim ele tomou o odú ijè. Contudo por não ter conhecido a casa antes de entrar, ele acabou se deparando com situações que iam contra os seus valores e saiu da casa. Depois de semanas, o zelador postou um comentários nas redes sociais, dizendo que ele não era feito, que tomou sete anos sem ter, difamando sua imagem em todos os aspectos. Para finalizar ele me pergunto…

Provas do Orixá

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Ontem acordei “virado” e repensei minha visão e o meu lugar no candomblé, me senti no filme 300, naquele instante onde meia dúzia lutam contra o tempo e contra todos os inimigos. Tentamos fazer o melhor, levar o candomblé de forma limpa, descente e parece que em todo momento o povo está torcendo para que não dê certo, criticando antes de até mesmo te conhecer, porque? O que fazemos de mal? Por inveja? Por despeito? Para mim nada justifica.
Fiquei assim até que abri minha caixa de mensagem e ver um e-mail, onde o assunto era “Eu, Oxum e Você”, no corpo do texto uma jovem da Bahia, de trinta e poucos anos, relatou que cresceu no candomblé e foi feita ainda criança e já a alguns anos não pisava mais em uma casa de axé, por conta dessa rivalidade sem sentido, um querendo ser mais do que o outro e esquecendo do que realmente importa que é servi ao Orixá. A moça disse que apesar de ter virados as costas para a religião, nunca deixou de amar Oxum e que pesquisando sobre Opará, chegou ao meu b…

A Falta de Compromisso – A esperança vazia de uma colheita, sem o plantio

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A partir do momento que você decide entrar em uma casa de santo e se iniciar, tem que estar ciente dos seus direito e dos seus deveres. É um verdadeiro relacionamento com o Axé e como toda relação, deve existir ajuda, compromisso e dedicação MUTUA, pois se só uma lado se dedicar, com certeza não dará certo. E é exatamente o que eu estou podendo ver e avaliar dentro e fora da minha casa de santo.
Comigo pelo menos, não há tempo ruim, quando se tem algo a fazer pela vida e pelo Orixá de um filho, não importa se é meio dia, meia noite, uma ou duas horas da manhã. Já perdi aniversários, datas comemorativas, já passei por cima do cansaço, para servir a fé e ao ser humano. Mas o que me deixa muitíssimo chateado é o pouco caso e a tal da “falta de tempo”, que sempre serve de desculpa para justificar a descompromisso com a casa de axé. O engraçado é que quando precisam, estão sempre disponíveis, mostram boa vontade e não pensam duas vezes em ligar ou ficar duas ou três horas no jogo de búzios,…

Transparência - Nota a Comunidade do Candomblé

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Em nossa religião lidamos com energias o tempo todo, e para um zelador essa troca de energia é ainda maior. Por isso temos que renovar nossas energias, seja um ebó, um bory ou até mesmo uma obrigação. Eu estou vivendo esse momento, para tanto contei com a ajuda de pessoas que eu amo e confio, afinal minha cabeça sustentas outras tantas. Agradeço a Mãe Elizangela de Oxum que tem mais de vinte e um anos de dedicação ao Orixá e a todos que estiveram presentes nesse final de semana que foi maravilhoso de dedicação a Odé.
Retribuir e agradecer é primordial para uma vida plena e feliz dentro do Axé. Claro que eu gostaria que o meu zelador estivesse do meu lado nesse momento, mas infelizmente não foi possível, devido a uma série de impedições, então contei com aqueles que estão ao meu lado e que me amam. Deixando claro, que não estou tomando “idade de santo”, apenas homenageando meu Orixá . Certa vez ouvi que teriam dito que eu não fui sentado como babalorixá e que eu tinha que ter meu própri…

Convivência no Candomblé

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Qual o tipo de relação você tem com o seu zelador(a)? Quantas vezes você parou para ter uma conversa franca ou descontraída com seu líder religioso? 

Ontem, eu e os meus filhos falávamos sobre isso, contávamos nossas experiências e comparavamos com o nosso cotidiano. Graças a Odé o Egbé L’ajò tem uma constelação de fihos pensantes e quando sentamos, podemos discutir sem preconceitos ou julgamentos. São esses os momentos onde eu posso me aproximar mais e criar um vinculo de amizade com os meus filhotes.
Um bom relacionamento com seu líder religioso é muito importante, pois ele é o pai que o Orixá te deu, já temos que engolir sapos no trabalho, na família, não vai ser no terreiro que vamos arrumar mais dores de cabeça. A casa de santo, tem que ser o lugar onde nos sentimos em casa, cuidar e zelar não só das paredes e do chão, mas também das relações de amizade que surgem. Como eu sempre digo, você não é obrigado a gostar de ninguém, mas tem que ter respeito e o minimo de edução com sua f…

Lidar com as Diferenças.

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Nós, do candomblé vivemos em uma comunidade e tem de tudo, do carismático ao problemático. A maior dificuldade de um zelador é conseguir lidar com as diferenças, é um exercício diário de paciência, pois não é fácil, enquanto meia dúzia se esforça para fazer a coisa acontecer outra meia dúzia param suas vidas para viver a “Teoria da Conspiração”. 

Estamos em um mundo onde a objetividade é ouro e o tempo, esse senhor que não tem piedade, passa rápido e por isso temos que aproveitá-lo. O tempo de abiã é importante, o de egbomi também, agora o tempo de yawò, esse não tem preço, pois tem data certa para acabar. Não adianta ficarmos a todo momento nos importando com o que pensam ou deixam de pensar de nós, ou pegar uma gota de água e transformar em um maremoto. Vamos parar! Temos que agir e trabalhar em pró do Orixá ao invés de pararmos nossas vidas para ficar em “rodinhas”, ligando, twitando ou escrevendo no Face para “causar”. Não falo isso só para meus filhos, mas para o povo de santo que…

O Resgate do Povo de Santo

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Eu fico muito feliz em ver que cada vez mais, opovo de santo está buscando o Orixá ao invés de desistir ou ir para outra religião. Quando eu era pequeno, via e ouvia dizer que fulano e sicrano tinham virado “crente”. Atualmente isso não acontece e melhor, as pessoas que se magoaram e se afastaram da religião há anos, estão buscando renovar e refazer a aliança com seu Orixá.
Como diziam os antigos, fazer santo é como um casamento, não adianta ter uma festa bonita se no cotidano você não der amor e respeito ao outro. Minha casa e outras casas de axé, estão recebendo esses filhos de santo que se afastaram da religião há cinco, dez ou até vinte anos atrás. Como é gratificante ser responsável por ver uma pessoa que já tinha perdido a fé no seu Orixá e que volta a uma casa de axé, por ver que a religião está mudando e quebrando os falsos paradigmas. Fico ainda mais contente, pois muitos meu blog está sendo responsável por muitos desses casos.
Povo do axé, vamos receber bem esses irmãos, trata…

O Axé e as minhas decisões

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O final de semana também me ajudou pensar melhor nas minhas decisões e no peso que cada tem na minha vida. A pior coisa do mundo é a hipocrisia e a mentira, vivemos em um mundo real, influenciado pelo espiritual, mas não podemos criar nosso mundo de “Alice”.
Cada casa de santo é um axé, pois cada casa, mesmo que descenda de outro barracão, tem sua forma particular de cultuar o Orixá e isso é sabido desde que o mundo é mundo. As diferenças são geradas pela visão e a forma de interpretar o mundo de cada zelador. A hierarquia deve sim ser respeitada e preservada, mas não deve ser usada como arma de opressão.
Eu vou continuar meu caminho, vou fazer o candomblé de Odé e contar com as armas e as pessoas que eu tenho. Eu sei a quem eu devo me reportar e responder. Quem me procura, acredita e confia em mim, sabe que eu levo o meu nome e do Egbé L’ajò, não me escondo atrás de ninguém, nem uso o nome de Babá Fulano ou Beltrano para me promover ou para justificar o que eu faço. Para cuidar de Odé…

Fiz o santo e nada mudou. O que eu faço?

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Ontem, eu recebi um e-mail que me deixou intrigado, nele um jovem relatou que tinha feito santo há seis meses e que nada, na sua vida, havia mudado. Fez santo esperando que as coisas se resolvessem e até agora ele tinha continuado perdido nas mesmas situações. Na mesma mensagem ele dizia que não queria fazer e que durante sua iniciação teve vários problemas com seus irmãos, resumindo o assunto, que estava tudo errado e que não iria mais à casa de axé, pois estava arrependido de ter entrado na religião, mas que leu meu blog e ficou em dúvida.
E então eu respondi:
Caro Dofono,
Entendo seu ponto de vista e o respeito, porém acredito que o erro está na interpretação do ato religioso pelo qual você passou. Se iniciar no candomblé é ter a chance de uma nova vida, de renascer. A mudança que o Orixá promete para vida dos seus filhos é de dentro para fora, pois quem tem compromisso com seus santo é você. Tudo que acontece durante uma iniciação pode sim refletir na sua vida, contudo o Orixá jamai…

A importância do treinamento

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Durante a reunião do feriado dos trabalhos, pude ver como a realização de reuniões é importante e mais do que isso de oferecer treinamento aos nossos filhos, pois durante uma função, acabamos não tendo esse tempo. E o primeiro workshop, mesmo que improvisado, foi o de como vestir santo. Em uma casa pequena ou média, não se tem um grande número de ekedis para ajudar, por isso um irmão ajuda o outro. Muita gente pode falar que candomblé se aprende no dia-dia, e eu concordo, mas nem todo mundo tem tempo de se dedicar integralmente a religião.
Existe ainda muita carência de saber entre o povo de santo, todo mundo se preocupa em aprender “sala”, onde na verdade temos que aprender primeiras noções básicas, como folhas, vestuário, rezas e principalmente cozinha e quarto de santo. Pensando nisso decidi organizar workshops para preparar meus filhos, não podemos cobrar aquilo que não ensinamos. Vou amadurecer a ideia e em breve estarei comunicando as datas. Espero que com essa ação possamos não s…