terça-feira, 23 de junho de 2026

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na parede do meu futuro, tentando desenhar em mim o medo da rejeição. Confesso: a dúvida ecoou. Afinal, as vozes vinham de quem eu amava. Mas foi preciso silenciar o barulho do mundo para escutar o que vibrava no meu peito. Aprendi a defender minha fé primeiro para o espelho, curando em mim as feridas que o julgamento alheio abriu. Hoje, no mistério do atendimento, acolho quem chega. Entendo perfeitamente o peso do receio social. Por ter vencido minhas próprias sombras, hoje tenho a calmaria necessária para acolher os que buscam o axé como cura, mas ainda não estão prontos para assumi-lo como identidade. Iniciação também é respeitar o tempo do outro. Seguir o Candomblé é para quem ousa romper cercas invisíveis. Nenhuma voz externa consegue ser mais alta do que o tambor da nossa própria consciência.

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