quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Para quem você anda contando seus planos?


Hoje vou falar de um assunto bastante presente em nossas vidas, que é a respeito de divulgarmos nossos planos e realizações, e minha pergunta é:


- Para quem você está contando da sua vida? 



Com as redes sociais acabamos expondo mais de nossa vida pessoal do que deveríamos, e como babálorixá e consultor espiritual, vou dizer por que isso não é tão bacana.

Nós do candomblé, acreditamos no Ory e no seu poder, que seria a nossa capacidade de mentalização e consequentemente de gerar energia, onde emitimos essa força tanto de forma negativa quanto positiva e como isso nos afeta?

Exemplo, você chega no trabalho e conta aos seus amigos que vai fazer uma mega viagem para Chicago, pois mesmo ganhando o mesmo que os outros ganham, juntou, apertou e finalmente vai realizar esse sonho, entre esses “colegas” que vão ouvir, um ou dois se sentiram incomodados e consciente ou inconscientemente vai gerar um pensamento negativo como:

“Porque eu não consigo?”

Ou, “nossa ele é abençoado e eu não”, e se naquele dia você estiver com sua “imunidade espiritual” baixa, vai acabar recebendo essa força, o que pode gerar obstáculos para o seu tão sonhado desejo de viajar. O que estou falando não é suposição, e algo que nesses anos que atendo, já vi muito.

Eu oriento meus clientes e filhos de Orixá da seguinte maneira:

Para Família: Divida seus medos, seus planos e divida suas realizações.

Para os Amigos: Conte seus planos e comemore suas realizações.

Para os Conhecidos: Só fale as metas já realizadas, afinal não há nada mais satisfatório que gritar ao mundo: Eu superei e venci!

Mais uma vez, cuidado com o que você fala da sua vida, tem gente que recebe o seu Sucesso como ofensa, pois por falta de esforço e capacidade se acomodam em simplesmente “parasitar” a vida dos outros.

Agradeço o carinho de todos e saibam, meu papel na vida de vocês ajudar-vos a encontrar sua felicidade!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Procurar Ajuda Espiritual – Como funciona?


Muita gente me escreve com diversas duvidas sobre como funciona a “ajuda espiritual”, ou seja, procurar um zelador de Orixá para resolver uma questão pessoal. São tantas histórias ruins que fico até assustado.


- Qual é o papel do Babálorixá?



O papel desse sacerdote é “defender” espiritualmente você, onde apresentará aos Orixás oferendas pedindo a intercessão, assim provocando uma energia que vai agir na situação. Ele vai analisar seu caso mediante uma consulta com jogo de búzios, que entre muitas coisas, serve para que possamos saber quais energias envolvidas e se houver indicação de algum trabalho (ebó) que pode ser feito para positivar ou negativar uma situação, ele vai te falar. 

- Mas porque é cobrado?

Por que a consulta e os ebós, levam tempo, atenção e dedicação para serem feitos, além da “carga” negativa que absolvemos durante esses rituais, afinal estaremos invocando da natureza uma energia para mudar os resultados de um determinado problema. Se o seu tempo é precioso o do outro também é.

- Qual o papel do cliente?

Como eu costumo dizer, dinheiro é suor prensado, por isso antes de procurar uma pessoa para cuidar de você espiritualmente, procure referências, veja a história dele e sua postura. Peça informações, sobre que tipo de trabalho vai ser feito, em que nação, com qual Odú, Orixá ou entidade. E após feitos os devidos trabalhos, entre em contato pelo menos de quinze em quinze dias para ter um feedback, pois dependendo do ebó, ele precisa de manutenção.

Dica: Só pague o trabalho sem o vê-lo se você tiver absoluta confiança em quem está cuidando de você.

- E se demorar ou não funcionar?

Quem lida com energias sabe que não é uma tarefa fácil, afinal são destinos que se cruzam como um emaranhado de longos fios, delicados como os do cabelo. Nós, babálorixás, agimos no meio da situação, ou seja, surge um problema, você não consegue resolver sozinho, tenta novamente e aí procura uma ajuda do “além”, onde na grande maioria a história já vem correndo há meses. O que vamos fazer é buscar a melhor “receita”, o caminho mais curto para que o Orixá aja na sua vida e isso não é como tirar o coelho da cartola, requer muita dedicação e as vezes paciência. Nenhum consultor espiritual de respeito, promete resolver uma situação em sete dias, isso é charlatanismo. Eu sempre digo, se foi feito o que é devido, se você tomou a postura correta e teve pensamento positivo e fé, não tem porque não dar certo.

Dica: Converse com seu consultor, veja o que atrapalhou o caminho, se vale a pena ainda lutar, mas sempre cuide de você em primeiro lugar, se Olorun não permitiu que aquela graça fosse recebida é porque era o melhor para sua existência.

Hoje o mundo está cada vez mais dinâmico e a concorrência não está fácil, por isso ter uma assessoria espiritual séria é muito importante, ela vai te colocar um passo a frente e trazer energia positiva para sua vida, mas tome muito cuidado, pois hoje em dia, todo mundo quer ser pai de santo, esquecendo que essa é uma vida de dedicação e comprometimento e não uma brincadeira.

Boa tarde!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Nosso Lema:


Crescimento Espiritual


Boa tarde a todos,


Começo essa semana com muitos afazeres e grandes responsabilidades. 
Para iniciar vamos a uma reflexão:



O Objetivo de um filho (a) de santo é alcançar a harmonia com o axé e atingir a integração com seu Orixá, para isso existem ferramentas que vão auxiliar no crescimento espiritual do omo-Orixá, e elas são:

- Rumbè: Conjunto de regras que tem como função, educar os filhos dos Orixás, ensinando-os a conviver em grupo, a respeitar os mais velhos e compreender e ajudar os mais novos.

- Pai ou Mãe de Santo (Babálorixá ou Iyálorixá): Mesmo uma casa que tenha mais de uma liderança religiosa, como o Egbé L’ajò, se é iniciado por uma única pessoa, sendo as demais que ajudam, igualmente importantes, porém, somos responsabilidade de um único Pai ou Mãe, que tem a função de orientar, conforme sua vivência e aprendizado, a conduta do omo(filho). 

- Egbomy: Os seus mais velhos, são seus exemplos, mas isso não quer dizer que eles sempre estarão certos, afinal o aprendizado no candomblé é eterno, siga sempre os bons exemplos, os que agem com educação e postura séria, quanto mais velho de “santo”, mas humilde e receptivo ele tem que ser, pois só quem passou por tudo, sabe o quanto é difícil superar as dificuldades de ser um iyawò.

- A Egbé: A comunidade, é formada por pessoas de várias idades, classes sociais diferentes e isso tudo, dá ao candomblé uma grande diversidade, o que muitas vezes pode tornar a convivência, um desafio, mas tenha em mente que seu papel na casa de Orixá, é desenvolver sua espiritualidade e compreender sua existência, fazer amigos, é consequência e não deve ser colocado em primeiro lugar, pois cedo ou tarde você vai se decepcionar com as pessoas e isso pode atrapalhar sua conduta religiosa, ou seja, Orixá e meu zelador em primeiro lugar!

Como eu costumo dizer, ser humilde não é ser besta, não aceite humilhação, tapa na cara, nem baixaria, isso não é do Orixá. Quem não está pronto para ter comprometimento, respeito e educação, não deve entrar para o candomblé, pois zelador nem um de respeito, irá tolerar malcriações nem falta de índole, afinal ele zela pelo bem estar do Egbé, muitas vezes, para proteger o rebanho, terá que matar o lobo.

Tem muita gente que não viveu candomblé, não superou a dificuldades, querendo dar aula ou reclamando da religião, o que acaba denegrindo a imagem do culto e de pessoas sérias. Pensem bem antes de falar contra seus zeladores, pois existe uma energia chamada Iyámin Osorongá, que observa nossos juramentos e assiste cada passo que damos, e com elas não são enganadas pelas nossas palavras.

Uma ótima semana e aproveito para agradecer todo o carinho das centenas pessoas que curtem e compartilham as frases e fotos de nossa casa, fico muito feliz em contribuir para nossa religião.

Babá Diego de Odé
11 – 4141-0167

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Minha História


Minha mãe foi iniciada em Oxum no quinto mês de minha gestação, pela iyálorixa Minervina de Ogum da nação Egba (Descendentes da cidade de Abeokuta, a capital do estado de Ogun e no Brasil uma nação de candomblé) e quem também fundou em 1964 o Egbé L'ajô. Aos meus 13 anos com a morte de nossa iyálorixá, dei continuidade as minhas obrigações com o Babalorixá Toninho de Oxum (Itapevi-SP).


Em 2007, Odé meu orixá, decidiu dá um novo rumo a minha história religiosa, onde migrei para o Ketu e no Ile Oba Oru tomei axé e meu Oye em 2009.

Em 2010, decidi criar o blog Terra dos Orixás, que em meses virou um sucesso, com mais de 60 mil acessos por mês, nele escrevo sobre o cotidiano do candomblé.

Hoje, eu e minha mãe carnal, estamos à frente do Ilê Asé Egbé L’ajô (Itapevi-SP),seguindo os preceitos da nação Ketu, buscamos a valorização do candomblé e de sua cultura, com responsabilidade socioambiental. Temos projetos como: Projeto Igbo, que trata da conscientização ambiental, Projeto Ade, que capacita artesãos e Projeto Oluwô, onde são formados grupos de estudo e debate sobre a cultura afro-religiosa.

O candomblé para mim não é só uma religião, é a minha família, por isso luto por ele, acredito que com seriedade, dedicação e principalmente amor, podemos mudar essa imagem tão deturpada do nosso culto. Sei que não é fácil vencer o preconceito e assumir publicamente que se é de uma religião afro-descendente, mas isso só vai mudar quando entendermos que, se ao invés de ficar se atacando e apontando o que é certo ou errado na casa do outro, nos uníssemos e levantássemos uma única bandeira, com certeza seriamos muito mais fortes.

Sinto muito e é até feio dizer, mas o mal de nossa religião ainda é a inveja, você não pode se destacar que já vem alguém inventar histórias para te prejudicar, pois cada ponto que eu escrevi a cima, tem provas e testemunhas, não são coisas inventadas, afinal presente e o futuro podemos mudar, mas o passado não.



Fotos

1986

Obrigação de 1 Ano - 2002

Obrigação de 3 anos - 2005

Obrigação de 7 Anos - 2009

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...