terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pensamentos e Reflexões

Entre pensamentos e reflexões:
Abrir a porta, confiança e recomeço.
Toda instituição que pratica uma atividade religiosa, em sua maioria, está aberta a receber à todos e com isso seus problemas, suas angustias e frustrações, assim também é no Candomblé, abrimos a nossa porta, porém nós zeladores, não podemos esquecer que somos guardiões da família de axé e por isso, precisamos ser criteriosos, pois não podemos esquecer que guardamos o que há de mais precioso na vida de uma pessoa, sua fé.
A todos que sentam na minha mesa ou procuram a minha ajuda, se assim Ifá determinar, ajudo no que eu posso e tiro o que tem no meu armário para fazer um ebó ou qualquer outro tratamento indicado, que pelo menos melhore a vida daquele filho, sem preconceitos ou distinção. Digo isso, porque muita gente diz que Candomblé é só dinheiro, que os zeladores só olham a parte financeira e isso não é verdade, pois mesmo não recebendo ajuda nenhuma do governo ou de qualquer outra instituição, eu e outros muitos babalorixás sempre levam auxílio ao que precisam, o grande problema é que uma minoria, não quer só a “ajuda” e sim que seja tirado de suas costas uma responsabilidade que é só deles. Dar a mão é uma coisa, o braço e o corpo inteiro, é outra completamente diferente.
Acredito que como em qualquer lugar, existam pessoas aproveitadoras e ruins, mas o Orixá está atento e olha cada passo, assim acredito que esses não chegam longe, afinal Exú é o senhor dos caminhos, e Egúgún protege o conhecimento ancestral e corrige aqueles que o profanam. Mas não podemos generalizar e sair por aí falando e denegrindo a religião, sei que a indignação é forte e ser enganado é muito ruim, mas temos que superar os obstáculos e valorizarmos as portas que são abertas pelo próprio Orixá, deixando o passado no passado.
Somos seres em eterna construção, cada passo, cada capítulo tem um começo, meio e fim, e o mais importante é a lição aprendida, pois todos nós erramos, sendo filhos ou pais, julgamos, brigamos e nem sempre seremos justos, mas há uma força chamada axé para abençoar ou corrigir e realinhar nosso destino. Levei facadas das pessoas que eu mais ajudei e nem por isso desistir do Candomblé. Pensem nisso!
Babá Diego de Odé
Ilè Asé Egbé L’ajò
terradosorixas@hotmail.com

Planejando a Obrigação de Sete Anos (Odún Èje)




Quando se iniciamos no Candomblé, já sabemos que vamos passar por ciclos de transformação e renovação dentro do culto e isso damos o nome de àjodún, ou como é mais conhecida, “obrigação” ou "aniversário", sendo elas de, “um ano”, “três anos”, “cinco anos(dependendo do axé)” e “sete anos”. Chamamos de obrigação, por elas são necessárias para sua formação religiosa e hoje vamos falar do odún èje(sete anos), na qual nos tornamos “maiores de idade”, onde vamos assumir o cargo de ègbónmi (meu mais velho) e é marcada por uma grande festividade que precisa ser planejada, organizada e executada com dedicação e felicidade, por isso, vou dar algumas dicas que podem te ajudar.
Priorize! Os grãos, materiais de axé, bichos e despesas da casa de candomblé vem em primeiro lugar, pois são a base da sua “obrigação”, depois que está tudo certo, pago e revisado, então você começa a planejar a roupa de apresentação, roupa de hún, aparamentas, decoração e etc. Eu sugiro um planejamento em dois anos, ou seja, chegou ao cinco anos de iniciado, comece a pensar nos “sete anos”, afinal é a nossa formatura dentro da religião e deve ser festejada, tudo com bom-senso e conforme o seu axé e a orientação do seu zelador.
Para a roupa de apresentação no barracão, o tradicional rechilieu não se perdeu com o tempo, mas também temos a opção dos “entre-meios de renda”, que estão cada vez ficando mais bonitos, para a roupa de hún do seu Orixá e aparamenta, sente com o seu babálorixá e veja as cores e materiais que você pode usar, isso te ajudará muito. 
Para decoração, se você estiver comemorando junto com uma festividade da casa, tente mesclar as cores e não se esqueça de convidar as pessoas que fizeram parte da sua história, como seu padrinho de orunkó, amigos e principalmente familiares. As lembrancinhas devem retratar a essência do seu Orixá, nada de genéricos. Aquelas que podem ser consumidas depois, como os sabonetes e aromatizantes, ainda são as mais usadas, mas acho muito chic as personalizadas e finalizando, faça um álbum, as fotos de celular são bacanas, mas nada como um profissional, lembre-se que esse dia é único.
Pesquise, peça dicas dos mais velhos e não deixe o “carnavalesco” subir a cabeça, pois o encanto está no axé e nos detalhes.Sacrifício, Mérito e Valorização!Muito axé
Babá Diego de Odé - Babálorixá e Consultor Espiritual
11 4141-0167
terradosorixas@hotmail.com

Indico:
- Materias de Axé:
Tudo Para Orixá: 11 - 9 9723-1979 (Falar com Sandro).

- Roupas:
Crioula Fashion: 11 9 4816-7422 (Falar com Mayra).

- Decoração, Doces e Salgados:
Cantinho das Meninas: 11 9 6094-1677 (Falar com Lucy).

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- Fotografia:
Érica Catarina Fotografia: ericacatarina@gmail.com

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Oya Igbalè

Cultuada com Oya e com os ancestrais, esse caminho é muito importante para uma casa de asé, pois zela pelo equilíbrio entre a vida e a morte, início e fim. 
Rígida, mas acolhedora, a senhora do vento frio tem caminho com Esú, pois também é uma guardiã, com Omolú, presente na agonia da morte e Egungún, orisá que a respeita como sua mãe. 
Existe uma série de tabus que são associados a esse orisá, isso devido a sua aproximação com Ikú, o Orixá da Morte, porém devemos entender que essa transição, a morte física, é muito importante para manutenção da vida na terra, e é o que garante boas futuras gerações, sem ela não existiria lama para nos moldar. 
Que Oya guarde sua casa e lhe possibilite uma vida longa, cheia de alegria e amor.
Muito axé,
Babá Diego de Odé

terça-feira, 23 de junho de 2015

À Yemanjá, com carinho

Em todos momentos importantes de minha vida, Yemanjá esteve presente e não teria como ser diferente, minha família, desde minha tataravó, sempre cultuou essa força com muito carinho e amor. Certo dia minha iyálorixá estava arrumando o presente anual de Yemanjá e eu sentado no chão, tirando os espinhos das rosas, perguntei:
- Mas mãe, porque temos que entregar o presente de Yemanjá, sempre no dia 02 de fevereiro, pra mim, todo dia é dia de louvar Yemanjá, acho isso sincretismo.
Ela riu e respondeu:
- Sim meu filho, mas quando uma mãe, vê todos seus filhos reunidos, festejando, em paz, sem guerra, unidos, a alegria do Orixá é sempre maior, o fundamento não está só no balaio e sim no efeito dele, sem isso, são apenas flores, fitas, perfumes…
Essa frase ficou para sempre na minha cabeça e sem preferências, mas quando vou iniciar alguém ou participar de uma função de Yemanjá, meu coração se alegra, o peso da responsabilidade fica maior, porque carrego a crença dos meus ancestrais que assim como eu, receberam várias graças dessa grande mãe e só de escrever, meus olhos enchem de lágrima, não é atoa que no Egbé L’ajò temos tantas filhas da rainha do mar, cada uma com sua personalidade, verdadeiras jóias.
Semana passada, me perguntaram se é realmente verdade que os filhos de Yemanjá são difíceis, fofoqueiros e problemáticos, enfim, vou dar a minha opinião muito sincera. Como babalorixá e também filho de santo, já convivi com os filhos de todos Orixás e posso falar com propriedade, nem uma falha de personalidade pode ser atribuída ao Orixá da pessoa, os filhos de Yemanjá tem sim uma tendência a liderança, defendem o que acreditam, são requintados e solidários. É nisso que eu acredito, pois se Olorun desistisse da humanidade pelos erros de alguns, a Terra nem existiria mais.
Por isso declaro meu amor por Yemanjá, por essa força tão grande e fascinante e repito, nenhum Orixá faz mal ou dar ao seu filho traços ou impulsos negativos, somos nós, seres humanos que possuímos dentro de nós o bem e o mal e nos cabe escolher o caminho que vamos trilhar. E lembre-se, errar faz parte da caminhada, porém temos que desenvolver a humildade de reconhecer a falha, aprender e seguir em frente, sem mágoas, sem remorsos e com muita fé.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ekede - A Guardiã do Mistério

Ekede - A Guardiã do Mistério
Sou mulher
Sou guardiã
Sou filha
Sou Líder 
Em um dia comum
O céu me fez especial
Carrego a palavra do Orixá
Que que me determinou Ekede (Cota, Iyáorobá)
Me fez mãe
Me fez serva
Muitos dizem que não sentimos nada
Mas eu digo,
Sinto a presença do sagrado,
Não pelo transe,
Mas pelo amor
O adjá não me faz ser quem sou
E sim a minha história
As noites que passei acordada
Os dias que chorei calada
A palavra
A compreensão
O carinho
Muitos pensam que é fácil
Outro dizem que tenho o rei na barriga
Não! Tenho o rei na minha cabeça
Pois só com ele, o Orixá
Sou capaz de renascer todos os dias
De tirar do fundo da minha alma a força
Para jamais duvidar
Mesmo encontrando o divino
Através do humano
Não exijo respeito
Por mim
E sim por aquilo que eu defendo e guardo
Sou uma protetora do Céu
Sou pequena perante os deuses
Sou grande diante dos obstáculos
Sou Ekede
E isso o mundo não pode me tirar!
- Babá Diego de Odé -

Poema: Passos e Lágrimas no Candomblé

Passos e Lágrimas no Candomblé
Entrei por amor
E no Candomblé encontrei as respostas para dor
Nunca pedi
Apenas agradeci
Tive alegrias
Tive tristezas
Mas jamais desisti
Acreditei no Axé
Na força dos meu Orixás
Me contagiei pela alegria
Me decepcionei com os homens
Mas tive minhas lágrimas enxugadas pelos deuses
Abaixei a cabeça
Ouvi
E mesmo não aceitando
Concordei
Vi milagres
Vi a Vida protegendo seus filhos
Vi a Morte dançando entre os vivos
E como se tudo não fosse o bastante
Me encontrei com o Passado
Não aceitei meias verdades
Mas aprendi a compreender
Pois o outro também faz parte de mim
E somos estrelas,
Nascendo e morrendo, todos os dias
A importancia é passageira
Assim como essa estrada
Sou homem
Sou filho de um Deus
Sou eterno quando estou em comunhão com a natureza
E a natureza se torna mortal quando está em mim
Amor, Paz, Luta
A Vida me tirou pedaços
E o Orixá mesmo assim
Nunca desistiu de mim
Esse é o Candomblé
- Babá Diego de Odé -

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Desmotivação x Candomblé

Durante a nossa estrada religiosa, vamos passar por várias fases, da empolgação a desmotivação, o que é muito normal, aliás não é apenas na fé, em todas as áreas, mas quando a falta de vontade bate forte é hora de parar, rever os nossos conceitos e buscar força.
A partir do momento que nos iniciamos, o Orixá já não é mais uma opção e sim uma condição, será uma vida de altos e baixos, de amores e desamores e como tudo que queremos que dê certo, vamos precisar de compromisso e muita dedicação, pois não importa o que aconteça, o Orixá sempre estará do nosso lado, olhando pelo nosso caminho.
Já passei por muitas fazes nessa estrada do Candomblé e cada uma me ajudou a ser melhor, cada história triste me trouxe uma lição preciosa e hoje eu uso a experiência para orientar a todos que me procuram. Tropeçamos, erramos, duvidamos, mas no final entendemos que a Fé é o combustível da vida e que o Orixá é a coisa mais preciosa que existe em nós e por ele, vale tudo.
Desejo uma ótima semana e não perca sua fé, problemas vem e vão, tempestades passam e a vida sempre se renova!
Babá Diego de Odé
11 4141-0167

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...