domingo, 13 de dezembro de 2015

Especial - Osún Òpará

– 2015 – 10.000 visualizações
(Texto baseado no que vi e vivi)
São cinco anos de estudo sobre essa qualidade ou nome pelo qual é conhecida Osún, pois assim descreveu Verger, porém observo a cada passo que é um orisá a parte. Ela é a união entre a terra(Ogún), água(Osún) e fogo(Oyá), por esse motivo seu culto é tão delicado, assim como seus filhos e filhas, que possuem uma personalidade ímpar e marcante.
Um fato bastante interessante é que Òpará é presente em todos os asés Ketu, porém existe uma grande confusão quanto ao seu nome, o que dificulta nossas pesquisas, alguns dizem Àpárá, outros Opará, já outros Iyápará. Conforme o Dicionário Yorubá – Português – José Beniste, Àpará quer dizer gracejo, sátira, por isso, Òpará (Òpa: Rio próximo a Ifé. Ará: Habitante de um lugar), seria o nome mais adequado e atualmente mais usado.
O Culto de Osún Òpará tem ínicio em Ogún, como companheira do Orisá em suas conquistas, seria ela o seu lado feminino, seu equilíbrio, assim como Oyá é para Sangò. Seguindo, encontramos seus fundamentos sempre associados a Iyámí e finalizando, com sua “junção” com Oyá, mais especificamente, Oníra, porém noto durante esses anos que há um caminho rico entre uma itán (lenda) e outra, o que deixa o culto à Òpará ainda mais intrigante, como sua aproximação com Osún Ypondá, a senhora da estratégia, os antigos dizem que são primas e dividem as águas de correnteza forte, seria Òpará a força gerada pela água e Ypondá aquela que direciona o rio em busca do seu objeto, que é encontrar o mar, contornando os obstáculos e nunca se deixando represar nem ser controlado. 
Uma lenda pouco conhecida e que ouvi há alguns anos, quando questionava um fundamento que vi nos segredos de Òpará, é sua ligação com Omolu. Diz uma itán que Ogún toda vez que vinha de uma guerra, chegava com cortes pelo corpo e era Òpará que cuidava dos machucados, porém, mal se curava, logo estava o guerreiro envolvido em outra conquista. Òpará preocupada com seu par, decidiu ir até Omolu e lhe pedir um conselho, uma receita para curar rapidamente as marcas de Ogún, então o senhor da terra lhe deu uma agulha encantada que tinha o poder incrível de cicatrização e no momento que ela a tocou, a agulha se tornou dourada como o ouro e assim a guerreira a guardou e sempre que precisou usou seu mistério, sendo eternamente grata a Omolu, por isso dizem que ela não tem “quizila” com esse Orisá. 
O amor e a guerra fazem parte da vida dos filhos desse Orisá, são fortes, determinados e capazes de tudo para defender quem amam e o que amam, porém muitas vezes se encantam pela guerra e fazem dela sua vida, com um hábito e mesmo nos momentos de paz, ainda sim procuram um desafio, por isso digo, aos omó-Òpara, sigam o coração sem perder a razão, busquem resgatar o amor por vocês mesmos, se valorizem e não deixem que as marcas do passado lhes impeçam de encontrar a felicidade, não se deixem “represar” na angustia e na solidão, tenham fé nessa mãe linda e cheia de encanto.
Que Iyá Òpara seja sempre viva dentro de cada um de vocês e de todo coração, obrigado pelo carinho.
Muito asé, 
Babá Diego de Odé
terradosorixas@hotmail.com
11 4141-0167
11 9 6617-8726
terradosorixas.blogspot.com.br

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Especial Osún Òpará

Em comemoração as mais de 100.000 visualizações no terradosorixas.blogspot.com.br, sobre Osún Òpará, postarei mais um artigo sobre essa intrigante e poderosa mãe.
Meu presente a vocês que curtem e acompanham o meu trabalho.

Àjodún Iyábá - 2015

No dia 28 de novembro de 2015, foi realizado o Candomblé de Iyábá no Ilè Asé Egbé L'ajò, confira abaixo as fotos dos melhores momentos.

Realização: Ilè Asé Egbé L'ajò
Idealizador: Babá Diego de Odé - https://www.facebook.com/baba.d.ode/?fref=ts
Lembracinhas: Cheiros e Mimos
Aparamentas: Márcio Paramentas de Orixás
Materiais de Axé: Tudo para Orixá
Agradecimento Especial: Mãe Aparecida Isabel SantosOni Sango Douglas.

 Atabaques e Cadeira Principal
 Centro do Ilè Asé
Egbonmí Sandro de Airá comemorando seu Odún Éje

Odún Èje, a maioridade no Candomblé 

 Presente de Osún
Babá Diego de Odé

Entrega de Oyè

Iyá Atinsá Sandra de Ogún


Iyá Dagan Sônia de Omolu

Obrigações de ano

Lembranças da festividade de Iyábá

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Série Orisás: Ogún



(Textos baseados naquilo que ouvi e vi)

Entre todos os Orisás o que tem personalidade mais marcante é Ogún, sempre determinado, objetivo, com ele não existe duas palavras. Senhor da guerra e do ferro, Ogún veio à terra para desbravar, para abrir caminhos para os demais orisás, ele é o nosso herói, aquele que deu ao homem as ferramentas para o cultivo da terra e construiu a base da sobrevivência, é dele o lar, é dele a agricultura, é dele até mesmo a aliança de metal que simboliza o respeito, a confiança e o amor. 
Pelo carinho e respeito à humanidade, que o guerreiro Ogún também é estreitamente ligado à ancestralidade, sendo guardião do culto à Égùn, afinal seu irmão Esú sempre desafiou a morte ensinando aos povo da terra, ebós e magias para alcançar vida longa, sendo assim Ogún toma a sua frente e guarda os nossos mortos. Todo iyáwò, para nascer para o orisá, precisa de Ogún, pois é dele a navalha, é dele a faca, é dele os utensílios de ferro e aço que usamos na cozinha da casa de asé. Ogún protege aquele que trabalha na estrada, os cabelereiros, agricultores, enfermeiros, cirurgiões e construtores. 
Ogún é o patrono da amizade entre os homens, sempre camarada e fiel, Ogún nunca deixou para trás um companheiro de guerra. Apesar de firme e militar, foi irmão e mestre de Odé, amou Osún loucamente, se apaixonou por Oyá, relação na qual vivia entre tapas e beijos, mas quem lhe acalmava, quem após uma guerra lhe trazia a consciência e sanidade novamente era Yemonjá, sua mãe. Assim são seus filhos, amam aquilo que brilha, são empolgados no que lhe aquecem, mas é na calma, na doçura e serenidade do lar e da família que vivem felizes, por mais que voem, sempre voltam ao forte que guarda seu coração. Ogún é provedor, ama a mesa cheia e não deixa faltar aos seus filhos emprego, pois acredita que sem uma guerra, sem metas, não há evolução. 
Aprenda com Ogún a começar pela base, pelos atos simples e nunca desistir de uma guerra, mas saiba escolher aquelas que devem ser enfrentadas e aquelas que devem ser deixadas para trás, pois não são batalhas, são apenas tempo perdido. 
Muito asé,
Babá Diego de Odé
terradosorixas@hotmail.com

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...