quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Oya Igbalè

Cultuada com Oya e com os ancestrais, esse caminho é muito importante para uma casa de asé, pois zela pelo equilíbrio entre a vida e a morte, início e fim. 
Rígida, mas acolhedora, a senhora do vento frio tem caminho com Esú, pois também é uma guardiã, com Omolú, presente na agonia da morte e Egungún, orisá que a respeita como sua mãe. 
Existe uma série de tabus que são associados a esse orisá, isso devido a sua aproximação com Ikú, o Orixá da Morte, porém devemos entender que essa transição, a morte física, é muito importante para manutenção da vida na terra, e é o que garante boas futuras gerações, sem ela não existiria lama para nos moldar. 
Que Oya guarde sua casa e lhe possibilite uma vida longa, cheia de alegria e amor.
Muito axé,
Babá Diego de Odé

terça-feira, 23 de junho de 2015

À Yemanjá, com carinho

Em todos momentos importantes de minha vida, Yemanjá esteve presente e não teria como ser diferente, minha família, desde minha tataravó, sempre cultuou essa força com muito carinho e amor. Certo dia minha iyálorixá estava arrumando o presente anual de Yemanjá e eu sentado no chão, tirando os espinhos das rosas, perguntei:
- Mas mãe, porque temos que entregar o presente de Yemanjá, sempre no dia 02 de fevereiro, pra mim, todo dia é dia de louvar Yemanjá, acho isso sincretismo.
Ela riu e respondeu:
- Sim meu filho, mas quando uma mãe, vê todos seus filhos reunidos, festejando, em paz, sem guerra, unidos, a alegria do Orixá é sempre maior, o fundamento não está só no balaio e sim no efeito dele, sem isso, são apenas flores, fitas, perfumes…
Essa frase ficou para sempre na minha cabeça e sem preferências, mas quando vou iniciar alguém ou participar de uma função de Yemanjá, meu coração se alegra, o peso da responsabilidade fica maior, porque carrego a crença dos meus ancestrais que assim como eu, receberam várias graças dessa grande mãe e só de escrever, meus olhos enchem de lágrima, não é atoa que no Egbé L’ajò temos tantas filhas da rainha do mar, cada uma com sua personalidade, verdadeiras jóias.
Semana passada, me perguntaram se é realmente verdade que os filhos de Yemanjá são difíceis, fofoqueiros e problemáticos, enfim, vou dar a minha opinião muito sincera. Como babalorixá e também filho de santo, já convivi com os filhos de todos Orixás e posso falar com propriedade, nem uma falha de personalidade pode ser atribuída ao Orixá da pessoa, os filhos de Yemanjá tem sim uma tendência a liderança, defendem o que acreditam, são requintados e solidários. É nisso que eu acredito, pois se Olorun desistisse da humanidade pelos erros de alguns, a Terra nem existiria mais.
Por isso declaro meu amor por Yemanjá, por essa força tão grande e fascinante e repito, nenhum Orixá faz mal ou dar ao seu filho traços ou impulsos negativos, somos nós, seres humanos que possuímos dentro de nós o bem e o mal e nos cabe escolher o caminho que vamos trilhar. E lembre-se, errar faz parte da caminhada, porém temos que desenvolver a humildade de reconhecer a falha, aprender e seguir em frente, sem mágoas, sem remorsos e com muita fé.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ekede - A Guardiã do Mistério

Ekede - A Guardiã do Mistério
Sou mulher
Sou guardiã
Sou filha
Sou Líder 
Em um dia comum
O céu me fez especial
Carrego a palavra do Orixá
Que que me determinou Ekede (Cota, Iyáorobá)
Me fez mãe
Me fez serva
Muitos dizem que não sentimos nada
Mas eu digo,
Sinto a presença do sagrado,
Não pelo transe,
Mas pelo amor
O adjá não me faz ser quem sou
E sim a minha história
As noites que passei acordada
Os dias que chorei calada
A palavra
A compreensão
O carinho
Muitos pensam que é fácil
Outro dizem que tenho o rei na barriga
Não! Tenho o rei na minha cabeça
Pois só com ele, o Orixá
Sou capaz de renascer todos os dias
De tirar do fundo da minha alma a força
Para jamais duvidar
Mesmo encontrando o divino
Através do humano
Não exijo respeito
Por mim
E sim por aquilo que eu defendo e guardo
Sou uma protetora do Céu
Sou pequena perante os deuses
Sou grande diante dos obstáculos
Sou Ekede
E isso o mundo não pode me tirar!
- Babá Diego de Odé -

Poema: Passos e Lágrimas no Candomblé

Passos e Lágrimas no Candomblé
Entrei por amor
E no Candomblé encontrei as respostas para dor
Nunca pedi
Apenas agradeci
Tive alegrias
Tive tristezas
Mas jamais desisti
Acreditei no Axé
Na força dos meu Orixás
Me contagiei pela alegria
Me decepcionei com os homens
Mas tive minhas lágrimas enxugadas pelos deuses
Abaixei a cabeça
Ouvi
E mesmo não aceitando
Concordei
Vi milagres
Vi a Vida protegendo seus filhos
Vi a Morte dançando entre os vivos
E como se tudo não fosse o bastante
Me encontrei com o Passado
Não aceitei meias verdades
Mas aprendi a compreender
Pois o outro também faz parte de mim
E somos estrelas,
Nascendo e morrendo, todos os dias
A importancia é passageira
Assim como essa estrada
Sou homem
Sou filho de um Deus
Sou eterno quando estou em comunhão com a natureza
E a natureza se torna mortal quando está em mim
Amor, Paz, Luta
A Vida me tirou pedaços
E o Orixá mesmo assim
Nunca desistiu de mim
Esse é o Candomblé
- Babá Diego de Odé -

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Desmotivação x Candomblé

Durante a nossa estrada religiosa, vamos passar por várias fases, da empolgação a desmotivação, o que é muito normal, aliás não é apenas na fé, em todas as áreas, mas quando a falta de vontade bate forte é hora de parar, rever os nossos conceitos e buscar força.
A partir do momento que nos iniciamos, o Orixá já não é mais uma opção e sim uma condição, será uma vida de altos e baixos, de amores e desamores e como tudo que queremos que dê certo, vamos precisar de compromisso e muita dedicação, pois não importa o que aconteça, o Orixá sempre estará do nosso lado, olhando pelo nosso caminho.
Já passei por muitas fazes nessa estrada do Candomblé e cada uma me ajudou a ser melhor, cada história triste me trouxe uma lição preciosa e hoje eu uso a experiência para orientar a todos que me procuram. Tropeçamos, erramos, duvidamos, mas no final entendemos que a Fé é o combustível da vida e que o Orixá é a coisa mais preciosa que existe em nós e por ele, vale tudo.
Desejo uma ótima semana e não perca sua fé, problemas vem e vão, tempestades passam e a vida sempre se renova!
Babá Diego de Odé
11 4141-0167

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Bom dia!
Lembre-se: 
Quando recebemos o chamado do Orixá, temos que ter em mente que vamos assumir também um novo papel na sociedade e perante uma nova família, por isso, pense bem antes de falar, escrever e tomar qualquer decisão.Viva em paz, encontre e viva sua essência, Orixá nenhum quer ver você triste, passando por necessidades e jogado às traças, Olorun é maravilhoso e criou um mundo cheio de oportunidades e Orumilá nos presenteia sempre com um novo caminho e assim, uma chance de recomeçar.
Muito axé e que todas as graças do Orún caiam sobre todos.
Babá Diego de Odé
Babálorixá
11 4141-0167
11 9 6617-8726

terça-feira, 14 de abril de 2015

Rumbè - Defenda seu Axé!

A partir do momento que somos iniciados naquele determinado axé, temos que valorizá-lo e buscar seguir seus ensinamentos. É muito bom ler, estudar e trocar ideias com pessoas de outras casas, mas não devemos confundir as coisas, pois é dentro da nossa casa de axé que ganhamos a base e principalmente o filtro para entendermos nosso caminho espiritual.

Recebo muitas mensagens do Brasil todo, de abiãs, yawòs e até egbomis que reclamam que frequentam o candomblé por anos, mas não aprendem nada e que o conhecimento é algo passado apenas a pessoas selecionadas ou da família de seus zeladores. Por todos esses relatos e por aquilo que já passei, sei que isso muitas vezes isso acontece. Por isso, você que está passando por essa situação, vá até seu zelador, abra seu coração e exponha sua duvidas e dificuldades. Se depois disso, as coisas não mudarem, aí sim pense em procurar outro caminho.

Estamos em uma religião para evoluirmos espiritualmente, aumentando nosso nível de consciência e consequentemente melhorando a forma com que vivermos. A falta de informação gera dúvidas e erros que podem prejudicar nosso caminho.

Pai e filhos unidos, essa é a vontade do Orixá, mas devemos entender que se vivemos na ignorância como vamos ter armas para defender nossa religião e o nosso axé?

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...