domingo, 26 de janeiro de 2014

Festividades de Oxalá

Boa noite,


Depois de descansar o dia todo, após 23 dias de funções, paro para refletir sobre esse que foi o primeiro evento de 2014.

Passamos o sábado todo, dia 25 de janeiro, tratando dos afazeres, assim foi Orunkó pela tarde e as 20h40 começou o sirè, onde fomos “surpreendidos” com a presença da Policia Ambiental, que veio a nossa casa de axé, devido a uma denuncia que estaria ocorrendo sacrifícios com animais, mas isso não abalou nem alterou a ordem dos ritos, que prosseguiu na mais perfeita harmonia, aproveito para agradecer os policiais que apuraram o caso, pelo cumprimento da lei e pela educação impar que tratou o Babálasè Rosivaldo que os recebeu e nossa casa.

Agora me diz se essa casa tem ou não Esú vigiando e protegendo? Tomara que quem tenha tido o trabalho de fazer a denuncia, também tenha um Esú bem tratado, para que quando a justiça visite sua casa, também saiba entrar e sair, lembrando que não existe apenas a justiça dos homens, há também a de Sangò.

E assim seguiu nossa noite, com a casa lotada e muitas emoções. Outro ponto que marcou o evento foi a comemoração do Odun Ijè da Mayra de Oxalufã, Odun Oxumetá de Ricardo de Odé e a iniciação de Léia e Silvia de Oxum, pessoas do bem, voltadas para o Orixá, que me dão muito orgulho.

Agradeço a todos filhos e netos do Egbé L’ajò, pois provaram que são guerreiros e que levam a bandeira, defendendo nosso axé, sou um privilegiado de fazer parte da vida de vocês, claro que sempre existirá as minorias que não dão valor a casa que as acolheu, mas à eles eu só peço misericórdia e agò ao Orixá.

Uma ótima semana!

P.S: Amanhã, segunda, volto as minhas funções normais.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo!

Boa noite!

Um novo ano se inicia e com ele muitas promessas. 

Agradeço a todos os filhos e amigos que estiveram do nosso lado nessa linda passagem de 2013 para 2014.

Eu acredito que não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos irá dar daqui para frente, usando suas más experiências como aprendizado para a construção de uma nova atitude e postura perante a vida.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Homenagem a Iyá Rose de Oxum


Hoje, Iyá Rose de Oxum completa 45 anos de idade, e é com muita alegria que nós, seus filhos, amigos, irmãos e netos, desejamos a essa matriarca do Egbé L’ajò, muitos e muito anos de vida, pois sem sua força jamais seriamos o potencia que nos tornamos.


Mãe: palavra pequena, mas com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renúncia a si própria, força e sabedoria. Ser mãe não é só dar a luz e sim, participar da vida dos seus frutos gerados ou criados. Obrigado por termos você.

Feliz Aniversário!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Oxum Opàrá - A guerreira das águas doces

Entre todas as qualidades de Oxum, Opará é a mais guerreira, companheira de Ogun, aparece muitas vezes ao lado de Xangô. É um orixá de grandes particularidades, afinal ela une dois elementos: a água e o vento, o que explica sua ligação tão forte com Oyá, os antigos dizem que “Onde mora Opará mora Oyá, Opará não come sem Oyá”. Carrega Abebé, o espelho e também a Adagá, a espada, que representa sua porção guerreira. Em alguns momentos aparece também guerreando com Ypondá, outra qualidade guerreira.

Sua comida é o omolokun com ovos, um pouco mais carregado no dendê, afinal a especiaria a agrada por sua ligação com Ogun, assim também está ligada ao mariwô. Sua cor é dourado e também pode se colocar em suas roupas a cor rosa. Assim como pencas de metal jogadas em saia, afinal está ligada ao metal.

É representada pelas fortes quedas d’água e também na pororoca, com diz a lenda “Onde dois rios se encontram lá está Opará sempre lutando por seu espaço”. Entre muitos mitos que rondam essa qualidade o mais marcante é aquele onde ela se funde com Oyá, após ter a enganado, fazendo com que Oyá visse o seu lado ruim refletido no espelho. Seus mitos vem da região de Osogbô e também Oyó.
Suas filhas são autenticas e de personalidade forte, carregam consigo as magoas e tristezas da vida, tem poucos amigos e sempre são ponderadas e justas, onde muitas vezes a sua sinceridade chega a machucar. São vaidosas porém não vivem em pró a seu ego. Tem um lado espiritual muito aflorado para o ocultismo e adoram presentear as pessoas. Na saúde apresentam problemas na menstruação.







sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Aprendizado na Casa de Candomblé


Minhas últimas postagens geraram uma certa polêmica, onde muitos omo-Orixás reclamaram que questionar parece algo ruim ou proibido ao iyawò e também que os zeladores de hoje em dia não explicam nada, por isso acabam tendo que procurar em outras fontes. Outro ponto que me deixou assustado foi o fato da figura de iyawò ser ligada sempre aos afazeres domésticos e ao “serviço sujo”, por isso decidi fazer esse post para esclarecer alguns pontos e tentar ajudar meus irmãos zeladores e aos recém iniciados.


Em casa, cada orò, cada “cantiga nova” ou ato é explicado, eu paro, sento e digo o que vou fazer e porque vou fazer, criei a apostila de rumbè baseada em minha vivência, pois só se pode dar aquilo que recebeu, assim como o iyawò quando é iniciado sabe seu Orunkó, tradução, qualidade, cantiga do Orixá e sassanha de seu santo, contudo há aqueles que não tem interesse e por mais que se explique não querem aprender, mas eu fiz minha parte e tenho a consciência tranquila.

O que precisamos entender é que seja dentro ou fora da casa de axé, para construir uma estrada segura, precisamos começar de baixo, do básico, como limpar uma casa de axé, como tirar uma pena de um bicho, infelizmente a maioria dos barracões não tem pessoas remuneradas para fazer esse tipo de coisa, que no meu ver, não humilha ou menospreza ninguém. Eu mesmo sendo zelador e com muitos filhos iniciados, coloco a mão na massa, pois não estou fazendo para mim ou para qualquer pessoa, estou fazendo para o Orixá, para quando passe por minha casa, veja que está zelada, limpa e organizada e com certeza meu lar será abençoado.

O problema não é a informação e sim como você vai lidar com ela, antes de mais nada temos que respeitar quem nos ensinou, pouco ou muito, aquela pessoa parou sua vida para lhe transmitir conhecimento e se você acha que não serve ou não serviu, guarde para você, pois aos outros isso nada interessa. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Lidar com Filhos de Orixá - Problema e Solução

Todos os dias, aconselho um zelador, seja de candomblé ou umbanda, a como se comportar em uma crise com filho de Orixá. Lidar com o ser humano não é tarefa fácil, prova disso são os consultórios de psicólogos e psiquiatras lotados de pessoas que não conseguem lidar com algumas situações que a vida impõe e procuram ajuda especializada.


Há alguns anos, a saída ou briga com um filho me deixava triste, acamado, chegava a vida dias e dias chorando e me perguntando o motivo de uma pessoa que eu fiz o santo ou dei obrigação, sair da casa falando um monte ou inventando histórias. Até que um sábio zelador me disse assim:

- Meu amigo, filho de santo não é parente ou para sempre, de dez apenas um ou dois iram permanecer, pois esses são os verdadeiros filhos do Orixá e do seu axé, os demais muitas vezes nem sabem o que estão fazendo, nem o valor daquilo que carregam, se eles não amam nem a si mesmos, como você espera que amem e tenham algum tipo de consideração a você ou ao Orixá. Faça, cante e tenha fé, mas não espere nada em troca!

E isso ficou na minha cabeça, demorou até eu assimilar essas palavras e com o tempo fui vendo, com fatos que são verdadeiras. Por isso temos que ser criteriosos, não podemos fechar as portas para ninguém, mas isso não quer dizer que devemos ser idiotas ou passivos a tudo. Você zelador que está sofrendo com isso, tome as rédeas, a casa é do Orixá, mas se ele confiou a você o sacerdócio é por que acredita na sua capacidade de gestão. Se alguém está te causando problemas, sente e converse, se não há jeito, convide para se retirar, não permita que a ordem seja quebrada por quem só quer “causar”.

Não alimente inimigos ocultos, falsidade nem confusão. Na casa do Orixá deve haver paz e harmonia, não se preocupe com quantidade, pois se o Orixá estiver do seu lado, um filho sai e três entram, pode confiar na minha palavra. Certa vez uma filha de Oxum Opará que tinha seus dois anos de iniciada, se virou contra mim, dizendo que preferia os outros, não aguentando a loucura eu mandei ela “caçar urubu” no mesmo dia uma linda moça sentou na minha mesa e a dúvida dela era: Eu sou de Opara Pai? Resultado, um mês depois estava fazendo esse caminho e até hoje ela me dá orgulho. Então eu vou dizer que Opará não existe?

Espero que esse texto ajude a todos que estão passando por essa situação, que não deveria, mas que está cada vez mais comum.

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...