quarta-feira, 30 de julho de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
segunda-feira, 21 de julho de 2014
O Poder do Compromisso no Candomblé
Há muito tempo venho observado um problema comum no candomblé, que é quanto ao compromisso, muita gente se inicia na religião com muito fervor e empolgação e em meses perdem o interesse e gosto pela casa de axé e porque isso acontece? Que fé é essa que desaparece ao primeiro obstáculo?.
Em primeiro lugar devemos observar o motivo que levou esse filho até o candomblé, será que ele se iniciou para resolver um problema pontual ou para carregar a religião para toda sua vida? Levando em consideração que seja para resolver apenas uma situação, ele com certeza terá uma crise já no primeiro ano de iniciado, pois com o passar do tempo, verá que o Orixá é muito mais que um “resolvedor de problemas”, ele é um pai, um amigo, o nosso intermediador perante a Olorun e se algo está errado em nossas vidas, ele vai corrigir, vai transformar e isso nem sempre vai ser fácil.
Para aqueles que se iniciaram por amor, cumpram bem seu preceito, faça tudo o que foi recomendado, pois todo seu sacrifício será recompensado em axé. Aquele que louva o Orixá com dedicação, pode em qualquer momento da vida, colocar a cabeça no chão e pedir a intervenção divina e certamente será ouvido. Não vá a sua casa de santo para buscar fofocas e confusões, viva o axé e não o ajé, não alimente o negativo, pois é isso que pode atrapalha sua vida e coloca obstáculos desnecessários na sua estrada, além de perder o respeito e atenção do seu babálorixá, lembre-se que ninguém vai querer ajudar quem não quer ser ajudado ou pessoas sem compromisso.
Não seja mais um na casa de axé!
Babá Diego de Odé
Consultor Espiritual
11 4141-0167
terça-feira, 1 de julho de 2014
Iyawò também tem seus direitos!
O iniciado ao Orixá precisa ter em mente que o candomblé é uma religião apoiada na hierarquia e como uma comunidade religiosa terá seu código de conduta, seus direitos e deveres, porém vejo que tais regras estão ao longo do tempo, deturpadas pelas mãos de pessoas despreparadas que aplicam suas próprias leis em nome do Orixá. O candomblé tem fundamentos e explicações para tudo que se é feito ou imposto, não precisamos “criar” ou modificar o culto, basta colocar em prática o que nos é passado, obviamente com bom senso.
O Iyawò antes de pertencer ao egbé, é um cidadão e acima de tudo, um ser humano e merece ser respeitado, preparado e orientado. A casa de axé que usa de violência ou invoca energias negativas para conduzir seus filhos, estará fadada ao esquecimento dos homens e dos deuses, pois o poder da fé está em modificar o homem pelo bem e não pelo medo ou pela dor. Eu atendo muitas pessoas com trinta, quarenta e até cinquenta anos de iniciados que se afastaram da religião por ver atitudes imprudentes e infundadas e que hoje, graças a Olorun, estão voltando às casas de Orixá, por notarem que a consciência está mudando para melhor.
O noviço terá sete anos para alcançar a maioridade espiritual, tomando suas obrigações de um, três e sete anos, entretanto, não é apenas ir ao axé para cumprir seus aniversários, o iyawò precisa participar da casa do seu Orixá, vivência todas etapas evolutivas para realmente alcançar a posição de egbomy. Seja qual for sua nação, não existe fé sem sacrifício e dedicação, se é para seguir por seguir, então é melhor você nem entrar no candomblé, pois o que transforma sua vida é seu comprometimento e atitudes.
Você iyawò, não aceite abusos de nenhum tipo, busque estar em dia com sua casa, contribua, ajude, lute por sua fé e viva plenamente o candomblé. E quando alguém te chamar de iyawò de forma pejorativa, diga:
“Sou Iyawò sim, com muito orgulho, pois eu tenho idade, mas o que eu carrego, o meu Orixá, NÃO!”
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Iyamí Oxorongá – Guardiãs da Vida e da Morte
Desde muito pequeno ouço falar e praticar o culto as Mães Ancestrais, mas na última década vem acontecendo um movimento que chamo de “Iyámania”, ou seja, tudo é culpa de Iyá, todo mundo joga nas Eleyés a responsabilidade das infelicidades da vida e isso é um grave erro, pois elas possuem características maravilhosas que estão sendo esquecidas e nesse texto eu busco desmistificar essa imagem de “bruxa medieval” com berruga na ponta do nariz e que fica o tempo todo conspirando contra a humanidade. Meu ato de dissertar sobre o assunto se deve também a ligação que Erinlè, meu pai, tem com a ancestralidade feminina, pois é filho de uma Iyá, Iyá Apaoká, aquela que mora na jaqueira.
Iyámi Oxorongá é uma divindade suprema, ou seja, uma irunmolé e representa o principio coletivo feminino e na nossa religião tem a função de catalisadora do poder divino que une todas as mulheres e zela pela hierarquia e guarda a vida e a morte, pois ao contrário dos homens que após sua morte, são venerados individualmente no culto à Egun, as mulheres agrupam-se em um só axé que é protegido por Iyámi Oxorongá.
Entretanto, lidar com tal energia exige conhecimento, postura digna e respeitosa e é tarefa sempre da mais velha da casa cuidar de seus objetos sagrados que ficam sempre na frente da casa de axé, protegendo e zelando pela ordem social e harmonia, essa é a razão que em toda grande festividade, ela recebe presentes e oferendas. Os antigos dizem que por sua ligação com Oxum, Orixá que representa a gestação e o sangue menstrual, não se cultua uma sem se cultuar a outra.
Um aviso importante é que, independente de que nação sejamos, devemos sim prestar homenagens aos nossos ancestrais, porém se você não tiver o conhecimento teórico e prático para isso, busque-o antes de sair por aí fazendo ebós e cultuando-os, lembre-se que entrar no mundo dos mortos é uma grande responsabilidade e como tal, exige dedicação e preparo, ou então o que é bom, pode sim se tornar nocivo e não invoque as Mães para prejudicar o outro, elas podem até ouvir seus pedidos, por querer te proteger, mas você atrairá os olhos delas para sua vida e vai ser julgado a cada passo certo ou errado que der.
Mojubá a todas mulheres do passado, presente e do futuro!
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Ekede – Minha Visão sobre as Mães do Orixá
Demorei algum tempo para escrever sobre as ekedes, pois estava buscando outras visões sobre esse assunto tão delicado e espero ajudar a todos que buscam respostas sobre esse cargos.
A palavra Ekede vem do termo equejí de origem fon, sendo sua tradução em yoruba, outro. Assim como os ogãs, as ekedis são escolhidas pelo Orixá para desempenhar um papel de cuidadora do Orixá e de seus segredos, por isso são chamadas de mãe do Orixá, são elas os braços direitos e esquerdos de uma casa e ajudantes do Babálorixá ou Iyálorixá.
- Como se é escolhida para ser ekede?
Esse é um dom dado por Olorun, então já se nasce ekede, porém para que se possa assumir tal papel, é necessário uma série de atos iniciatórios e principalmente o aprendizado do cotidiano. Um erro muito comum no candomblé é empossar uma pessoa de poderes dos quais ela não entende e não sabe como exercer, naturalmente a responsabilidade irá pesar e pode se tornar um fardo, ao invés de uma dádiva.
- Quais são as funções da Ekede?
Durante as funções religiosas, existem tarefas que são tabus aos iniciados (iyawòs), por exemplo, durante os orôs, os rituais secretos, somos expostos a energia bruta do nosso Orixá que inevitavelmente irá se manifestar e nesse momento a consciência dos eleguns é tomada e filho precisar de cuidados, que são conduzidos e zelador pelas ekedes e ogãs, conforme as orientações do Babálorixá. Outro ponto importante a destacar é que nas casas tradicionais, é ensinado que não é de bom tom um zelador ir visitar outra casa, sem a companhia de uma ekede, pois em caso do Orixá se fazer presente em seu filho, ele também precisa de cuidados especiais, afinal se trata do divino, do intocável, daquilo que acreditamos.
Vestir, cuidar do igbás, acompanhar o zelador nos ebós, bory e oros, também são funções das mães ekedes, assim como acompanhar os Orixás dos iyawòs, que ainda estão sendo lapidados em seus filhos e acompanhar os santos mais velhos no barracão. Portanto, as informações acima, me lembram de um ditado popular que toda ekede deve levar consigo, “Mãe é aquela que cria”, ou seja, para carregar o título de iyá, ela deve cuidar dos filhos dos Orixás como se fossem delas, com o olhar, paciência e compreensão de uma mãe.
- Qual é sua conduta?
A Ekede vem para terra com a missão de cuidar de quem cuida de nós, ou seja, do Orixá e do Zelador, por isso não podem ser Iyálorixás, em outras palavras não possuem o axé de iniciar pessoas no culto dos Orixás, as ekedes que assumem tal postura, estão virando as costas para o dom que o Orixá lhes deu, que é tão sagrado quanto ao de Iyálorixá, e casos sigam para esse caminho, podem sofrer consequências graves. Uma Ekede pode sim tirar um ebó, cantar um bori em casos de urgência ou necessidade, mas isso não pode virar regra, pois se ela desempenhar a função de mãe de santo, quem fará a sua função?
Atenção minhas mães, conquistem o espaço de vocês, estejam sempre acima das confusões, fofocas e desavenças, sejam orientadoras e apaziguadoras, estamos em uma época onde atitudes valem mais que palavras e lembrem-se da confiança que o Orixá depositou em vocês, não traiam esse dom tal sagrado e bonito.
Motumbá a todos, ekedes, cotas, iyáorobás do Brasil e do mundo. Meu eterno respeito e amor, por todas noites acordadas, suor derramado, pé no chão e carinho com o qual cuidam de nós!
Portadores de Necessidades Especiais no Candomblé
Muito se escreve sobre o que se sabe e se bem entende em nossa religião, contudo há outras tantas questões para se discutir e uma delas é a do PNE no candomblé. A idéia de escrever sobre esse assunto surgiu de uma dessas conversas de axé que tenho com os meus filhos, em uma delas, uma querida mãe Ekede relatou que viu em uma determinada casa, uma pessoa com necessidades especiais entrar em transe em Orixá e infelizmente ser colocada de canto, pois ninguém sabia como lidar com a situação e posteriormente ouviu comentários desagradáveis sobre o omo-Orixá.
O caso acima demonstra a falta de preparo e até mesmo ignorância por parte do zelador e dos membros dessa casa, coisa que acontece em outras tantas e isso é uma vergonha, nós que falamos tanto que somos uma religião que recebe a todos de braços abertos, quando o diferente se coloca a nossa frente, simplesmente fingimos que não vimos, precisamos criar soluções, buscarmos adaptar nossa casa de axé para que ela verdadeiramente possa receber os filhos dos Orixás, pois hoje é o filho do vizinho, amanhã pode ser o seu filho, neto ou sobrinho.
Portanto, precisamos pensar também nas minorias e parar de agirmos sempre em pró ao individual, perante a Olorun, somos todos iguais e estamos ligados uma ao outro, como um organismo vivo, onde cada célula tem sua função e razão dentro do conjunto. Uma coisa que me incomoda muito é o ser humano ver algo a ser arrumado ou melhorado e ficar parado, achando que a solução vai cair do céu, vamos acordar meu povo, se o Orixá deu ferramentas, então use e construa um mundo melhor!
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