quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O Candomblé e a identidade de gênero



Ao longo da história muito foi falado a respeito da transgeneralidade no mundo. Em variadas mitologias, muitos seres são de origem dual.  Fato é, que entre a realidade social histórica e as lendas que enriquecem livros e filmes, tal assunto envolve muita polêmica por ter sido construído em cima de ideais cristianizadas e difundidas como pecado pela Igreja Católica.

A intenção deste texto não é falar sobre as questões de gênero perante o cenário da história, mas quebrar de uma vez por todas o preconceito dentro do Candomblé. Nossa religião é uma das pioneiras a falar abertamente a respeito disso, assim como a aceitar homossexuais pois, não existe e nunca existiu nenhum impedimento quanto a isso nos dogmas da religião. Porém em relação as pessoas transgênero, foi e é um grande tabu em todas as casas de santo.

A ciência social demorou muito tempo para desassociar as questões de gênero da medicina e da religião. Na idade média, a Igreja Católica não permitia de forma alguma a ideia de mudança de gênero; ou eram presos por inadequações vestuárias, ou eram mortos se o orgulho dissesse sim na pergunta sobre quem se era. Na década de 40, um oceano de pessoas trans foi evaporado pelo movimento autocrático e opressor nazista. E num passado muito recente, na primeira metade da década de 90, pessoas transgênero eram tratadas aos montes em clinicas psiquiátricas sendo diagnosticadas com transtornos psicologicos (vale ressaltar que essas nomenclaturas não existem mais). Além de não serem compreendidos, tinham a medicina contra toda a questão do “ser”, e assim eram enquadradas no CID 10 – F64, como doença psiquiátrica. Hoje, esse cenário está se modificando porém, ainda são necessários atendimentos às demandas especificas de saúde da população trans, bem como com respeito ao nome social.

Gênero e Sexualidade são coisas completamente diferentes, e é por esse motivo que preciso dizer que em um futuro muito próximo, o Candomblé vai fazer toda a tratativa de pessoas transgênero. Nossa religião só sobreviveu pela resistência, durante muito tempo precisamos ser secretos e discretos. O Candomblé é amor, e mais uma vez está se alinhando com as questões sociais. E o trabalho é para que todas as minorias ganhem voz e cada vez mais, ganham espaço no cenário de progresso e responsabilidade social.

Os abás (anciões) passaram por suas lutas familiares, sociais e de independência, e é devido a isso que temos tanta liberdade de expressão e de pensamento, como nunca nenhuma sociedade teve antes. A partir de agora, a nossa geração, precisa entender o que foi esse processo, captar recursos e usar ferramentas capazes de lapidar um futuro, baseados em amor ao próximo, na percepção de quem realmente somos, e unir forças para lutar pelas novas demandas que surgirão. Assim, vamos em direção à nossa sobrevivência, ser parte de um Todo.

Todas as pessoas passam por suas mazelas porém, ser parte de algum tipo de minoria traz um sentimento de segregação e, muitas vezes o maior problema  está em como todos os processos de vivências sociais acontecem. 

Perante isso, o essencial é fazer acontecer uma corrente que seja conectiva a todos nós do Candomblé. Sabemos que há questões muito pessoais de cada um, e não cabe a ninguém julgar como certo ou errado. Cabe apenas respeito e irmandade a fim de excluir os excessos, nos polir em habilidades interpessoais e reforçar o intuito fraterno, que é: verticalizar construções às virtudes, e cavar covas aos preconceitos e discriminações, fazendo evoluir o pensamento dos nossos adeptos e estreitando os laços espirituais que existem entre nós.

Eu nunca vi um Orixá negar um abraço e isso basta, e nós nos achando no direito de dizer ao outro quem ele é.

Bàbá Diego de Odé
Ilè Asé Ègbé L’ajò Ògún Èrèguedè
terradosorixas@hotmail.com

#candomble #ketu #egbelajo #terradosorixas #babadiego #transgeneridade #babadiegoode 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Especial - Sangò e seus caminhos

Sangò Afonjá 

Ligado a Yemojá, é um grande general e líder. Guiou seu povo para além do reino e abriu novos caminhos com sabedoria. Em suas roupas o vermelho vivo representa a realeza e sua virilidade.



Sangò Agodò 

Aspecto mais velho de Sangò, ligado a terra e tem estreita relação com Iroko, Ibeji e a Sabá (Yemonjá). Zela pelo equilíbrio e honra familiar.






Sangò Aganjú 


Teria se tornado rei muito jovem, o que lhe deu a fama de rei-menino. Foi apaixonado por Osún Ipondá, por quem manteve um amor que rendeu muitas lendas. 





Sangò Barú 

Ligado a Ogún e a Esú, foi um rei de gênio forte e guerreiro. Suas comidas são Abará, acarajé, pinhão e diz os antigos, que o quiabo o deixa preguiçoso. 





Especial - Ajòdún de Sangò 2018

Ilè Asé Ègbé L'ajò Ògún Èrèguedè
No dia 25 de novembro de 2018 a Família Egbé L’ajò, comemorou a festividade de Sangò, Airá, Oyá e Òbà.
Comemorações:
Sete anos
Ègbonmí Tatiane de Sangò

Três Anos
Vitor de Airá
Melissa de Odé
Daniela de Oyá
Sérgio de Sangò
Aurea de Yemojá
Andrea de Oyá
Bruno de Sangò
Um Ano
Gleycy de Obá
Leda de Airá
D. Maria de Oyá
Luiza de Oyá
Paulinha de Oyá
Iniciações
Fernanda de Odé
Mariana de Oti (Filha de Mãe Denise de Osún)
Thiago de Oyá

Agradecemos a presença de todos e parabéns aos obrigacionados!

Realização
Ilè Asé Egbé L'ajò Ògún Èrèguedè
Idealizador
Bàbá Diego de Odé
Organização
Ègbonmí Sandro de Airá
Ègbonmí Luciana de Iyèmanjá
Ègbonmí Sandra de Ògún
Eduardo de Ògún.
Decoração
Eduardo de Ògún
Fabrício de Osalá.
Fotos
Pontes Érica Catarina
Lembranças
Ègbonmí Kelly de Osún
Gleycy de Obá.
Roupas
Oyá Moda Afro (Claudia)
Agulha de Cobre (Ègbonmí Leda de Oyá)
Malú de Òbà e Gleycy de Òbà
Ogan Tadeu.
Aparamentas
Márcio Paramentas de Orixás
Fabiano de Ògún.
Materiais de Axé
Ilê Oxê Artigos Religiosos
Flora Xangô
Nosso blog
terradosorixas.blogspot.com.br
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Ilè Asé Egbé L’ajò
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Tristeza

O sentimento de tristeza (bíbinújé) é algo que vem perseguindo e assustando nossos ancestrais desde os tempos primordiais, Verger cita uma ìtàn que diz que Ògún enquanto ferreiro (Alágbède), após Yemonjá se tornar um rio, teria se entristecido pela falta de sua companheira. Obá ao ser rejeitada por Sangò também ficou triste e assim muitas lendas nos contam sobre esse sentimento tão avassalador que até os Orisá´s sentiam.

A tristeza abre portas para o ajé e refletindo muito profundamente sobre o assunto, cheguei a conclusão que ela sempre é baseada nas expectativas que nós mesmos criamos em relação a vida que gostaríamos de ter, e não nos damos conta que a única coisa permanente nessa existência é a constante mudança que tudo sofre, menos a fé. E você iniciado tem que ter em mente que uma ori (cabeça) cuidada não está brindada para aquilo que é produzido dentro de você e a magia nem sempre vem de um ebó, mas do seu auto-conhecimento.

Nesses anos de sacerdócio pude observar que o culto a alegria é constante na nossa fé e o movimento é fundamental para afastar as sombras da alma. A própria palavra sirè (brincadeira), ritual no qual dançamos para todos os orisá´s, nos aponta para a direção da felicidade. E fica muito claro que somos de uma religião onde rezar e agir caminham de mãos dadas, sendo a maior ferramenta de um omo-orisá a sua resistência que foi herdada de nossos ancestrais para enfrentar a vida e nos eternizamos na morte.

Bàbá Diego de Odé

#Bíbalè #Calma #tristeza #asé #textosdebabadiegodeode




Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...