terça-feira, 23 de junho de 2026

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na parede do meu futuro, tentando desenhar em mim o medo da rejeição. Confesso: a dúvida ecoou. Afinal, as vozes vinham de quem eu amava. Mas foi preciso silenciar o barulho do mundo para escutar o que vibrava no meu peito. Aprendi a defender minha fé primeiro para o espelho, curando em mim as feridas que o julgamento alheio abriu. Hoje, no mistério do atendimento, acolho quem chega. Entendo perfeitamente o peso do receio social. Por ter vencido minhas próprias sombras, hoje tenho a calmaria necessária para acolher os que buscam o axé como cura, mas ainda não estão prontos para assumi-lo como identidade. Iniciação também é respeitar o tempo do outro. Seguir o Candomblé é para quem ousa romper cercas invisíveis. Nenhuma voz externa consegue ser mais alta do que o tambor da nossa própria consciência.

domingo, 27 de abril de 2025

Salve, salve, queridos leitores! Neste último xirê Egbá, a emoção foi palpável ao celebrarmos os 49 anos de fundação do Ilê Axé Egbé L'ajô. Não há palavras que consigam capturar a grandiosidade desse momento, repleto de fé, gratidão e conexão com nossos ancestrais e orixás. Primeiramente, gostaria de expressar minha profunda gratidão a Ogum, o orixá que nos proporciona o espaço sagrado para cultuar nossos deuses e expressar nossa espiritualidade. Sua força e proteção são fundamentais para que possamos seguir firmes em nossa jornada. Neste dia especial, não posso deixar de homenagear nossa matriarca, Mãe Minervina, nossa Yálorixá, avó e bisavó. Tenho plena certeza de que ela está nos braços de Olorun, observando-nos e zelando por todos nós, guiando-nos com seu amor e sabedoria. Sua presença é sentida em cada canto do nosso axé, lembrando-nos da importância de manter viva nossa história e nossas tradições. Agradeço a todos que estiveram presentes nessa celebração, a cada um que contribuiu para que esse xirê fosse tão especial. É através da união e do amor que conseguimos construir uma comunidade forte e vibrante, onde a espiritualidade e a ancestralidade se entrelaçam. Desejo a todos um ótimo domingo! Que possamos continuar a trilhar o caminho da luz e da sabedoria que nossos orixás nos proporcionam. Até a próxima! Axé!

segunda-feira, 14 de março de 2022

Sobre abikú

Reflexões sobre o Abikú: O Propósito e a Comunidade Salve, queridos leitores do Terra dos Orixás! Após um período de reflexão, decidi retomar o compartilhamento das minhas experiências e estudos com vocês. Ultimamente, tenho ponderado profundamente sobre o sentido e o propósito de nossa existência neste mundo, questionando o que estamos fazendo com o dom que Olorun nos concedeu. Hoje, meu dia foi preenchido com compromissos fora do asé, e, durante o trajeto, uma conversa espontânea com meus filhos espirituais trouxe à tona um tema recorrente, porém frequentemente mal compreendido: o abikú (abi: nascer, ikú: morte). Essa questão é complexa, pois, embora todos nós tenhamos consciência de que nascemos para a morte no sentido físico, a eternidade da alma nos convida a um entendimento mais profundo. O abikú, em sua essência, é uma alma que vem ao mundo com um propósito claro: retornar rapidamente à sua comunidade do orún (ègbé orún). Desde o nascimento ou mesmo nos primeiros anos de vida, esses indivíduos carregam um conhecimento intrínseco de sua missão. No contexto das culturas yorubas, a ideia de que cada ser humano pertence a uma comunidade no céu é fundamental. Assim, nossa jornada na Terra se torna uma busca pela dualidade e pelo equilíbrio entre o EU e o NÓS, que se inicia na fecundação, onde as energias masculina e feminina se entrelaçam, carregando consigo toda a ancestralidade de ambas as linhagens. Nos últimos anos, a crescente presença de "abikús" tem gerado discussões e, lamentavelmente, uma banalização do tema. Questões como a depressão têm sido equivocadamente associadas a essa experiência, o que revela a necessidade de um olhar mais atento e respeitoso sobre esse fenômeno espiritual. É crucial que não tratemos o abikú como uma mera curiosidade, mas sim como um mistério que exige investigação e compreensão. Como nos ensina o renomado autor e estudioso das culturas africanas, “[...] a vida é um entrelaçar de histórias e memórias que nos conectam a nossos antepassados e ao futuro que estamos construindo.” Portanto, o que construímos em nossa passagem por aqui, independentemente do tempo, é a marca que deixamos para as gerações futuras e para a ancestralidade que estamos formando. É essencial que, em vez de nos focarmos apenas nas dores que carregamos, também nos atentemos ao que desejamos deixar como legado neste mundo. O estudo sobre o abikú é uma jornada que continuará, e a cada nova descoberta, estarei aqui para compartilhar com vocês. Até amanhã, queridos elefantinhos! Que possamos sempre buscar a luz e o conhecimento em nossas caminhadas espirituais.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Generosidade Espiritual - Oninurere

Generosidade: Uma Luz no Caminho Espiritual A generosidade é uma virtude que se manifesta na disposição de compartilhar por bondade. Sua origem indo-europeia, que significa "gerar" ou "fazer nascer", revela a profundidade desse conceito. No contexto espiritual, a generosidade é a capacidade de dividir conhecimento e experiências, iluminando o caminho dos outros. Ao acolher os iyáwò (iniciados no mistério do orisá), destacamos que eles se tornam fontes de luz. Isso significa que representam o orisá, trazendo à vida o despertar da divindade no tempo presente. Embora a identidade visual, o dialeto e o comportamento se mantenham enraizados na ancestralidade, essa herança deve ser interpretada à luz do que cada um carrega dentro de si, visando promover transformações positivas em sua vida e na comunidade. Se nossos ancestrais não tivessem sido generosos, o conhecimento sobre suas divindades não teria sido compartilhado, e talvez não tivéssemos o candomblé, nem a riqueza cultural que ele nos legou. Esse legado é continuamente reinterpretado, preservando a essência de humildade, respeito e sabedoria. Infelizmente, é comum observar pessoas mais velhas nas comunidades de candomblé retendo conhecimento, acreditando que compartilhar implica em perda. Na realidade, a partilha fortalece o grupo (ègbé) e beneficia a todos. Também existem aqueles que, por boa vontade, falam sem segurança, o que pode prejudicar o aprendizado. Portanto, é crucial encontrar um equilíbrio e transmitir apenas o que se sabe com certeza. Não permita que questões pessoais interfiram em sua espiritualidade. O fato de não se relacionar bem com alguém não deve impedi-lo de compartilhar o que aprendeu. Há um motivo para que vocês compartilhem esse caminho espiritual. Cultive a empatia por quem está aprendendo. Apesar das dificuldades enfrentadas para adquirir conhecimento, não use isso como desculpa para não ensinar. Faça seu sacrifício valer a pena, ajude seu irmão a trilhar seu próprio caminho, e assim todos poderão evoluir em busca de novos aprendizados. Muito asé, Bàbá Diego de Odé Bàbálorisá do Ilè Asé Ègbé Lajò – Itapevi, SP.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O que significa o orunkó


Orunkó é um termo yorubá que determina o “nome”, e não se deve confundir com a “djina” do povo da nação do Angola, pois são tradições diferentes. 

O orunkó é o nome do orisá para a grande maioria das casas, mas durante esses anos eu observei que ele é muito mais do que isso e vou dividir com vocês a minha visão.


O orunkó, na minha opinião, é o encontro do nosso eledá (destino) com o orisá, é a luz que iluminará a nossa existência a partir daquele momento e o seu significado rompe maldições, dando ao iniciado (iyáwò) uma nova direção. 


Percebi que os nascidos com orunkó finalizado em ayó (abundância) precisam buscar felicidade em tudo que fazem, já os finalizado com omi (água) tem como desafio a adaptação e emoção, assim como os finalizados em lewà (beleza) precisaram enxergar a vida com beleza e encantamento para que os caminhos se abram.


O “nome do iyáwò” é feito em sua maioria em rituais fechados, apenas com a família de santo e convidados e o “padrinho de orunkó”, que é a pessoa que vai “tirar o nome” como falamos, é de grande importância na vida no neófito e a testemunha daquela iniciação. 


Não costumamos divulgar esse nome (orunkó) antes da obrigação de sete anos (odún èje) do filho, pois ele ainda está em processo de “feitura”, afinal até lá, ele é apenas iniciado, mas após esse processo não há mal em um irmão saber o orunkó do outro assim como a sociedade como um todo.  Existe toda uma mística que quem conhece seu nome pode fazer algo de mal para você, mas eu acredito que tudo que compõe o mistério do seu orisá como “qualidade”, comida específica, visões, entre outros não podem ser citadas conversas informais ou banalizadas.  


Eu sempre tomo muito cuidado em falar sobre rituais, pois cada casa tem sua maneira de enxergar, mas o orunkó é a nossa marca nessa terra e um dia, conforme nosso merecimento ser torna um esá (honra). O que é comum é que, esse é o dia do nosso batismo dentro do asé e que esse nome é imutável, a não ser nos casos de mudança de nação de candomblé. 


Uma excelente semana,

Bàbá Diego de Odé 

(11) 4141-0167

sábado, 21 de agosto de 2021

7 Sinais que você está preparado para ser um ègbón

Ser um “mais velho” no candomblé implica em uma série de responsabilidades e posturas condizentes com os anos de aprendizado e dedicação que levam um iyáwò a ser de fato uma pessoa “feita no santo”, como popularmente falamos.


Eu listei sete sinais importantes de maturidade espiritual, pontos esses que podem e serão desenvolvidos sempre dentro da vida de candomblé. 


1 - Ninguém precisa te cobrar. 

Você tem responsabilidade, sabe seu lugar e o que pode ou não fazer dentro do Asé, sem que para isso alguém precise te cobrar.


2 - Respeita e orienta seu mais novo. 

Não é preciso tomar obrigação de sete anos (odún èje) para contribuir com a vida do seu àbúrò.


3 - Saber a hora certa de perguntar. 

Faz parte do amadurecimento espiritual saber a hora certa de cada coisa, inclusive de tirar suas dúvidas ou questionamentos.


4 - Não avalia os irmãos pelo que são fora da casa. 

Um bom “vodussi” não exerce julgamentos dentro da roça sobre a vida do alheio, pois sabe que o que importa é o que ele é como omo-orisá.


5 - Preza pela paz. 

Uma pessoa que se envolve constantemente em confusões e fofocas certamente não está pronto para ser um mais velho, pois se quando era “criança” já causava, imagine só agora como “adulto”. 


6 - Hierarquia.

Entende que a hierarquia existe para organizar e não para ser arma de humilhação. 


7 - Busca aprender. Conhecer e estudar não ajuda apenas a você, mas também no preparo para que você auxilie seu bàbálorisá ou iyálorisá nos ritos dentro e fora do Asé, saber um orin-ewè (sassanhe), orin-ori (cantiga de bori), responder um àdúrà é muito importe. Para isso conte também com seus mais velhos.


Ẹ káàró! E muito Asé.


#candomblé #seteanos #babadiegodeode

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Quando devemos mudar de “Asé”?

Esse é um dilema que muita gente passa, principalmente com o número de casas de candomblé aumentando exponencialmente, e as dúvidas são sempre as mesmas, como e quando é a hora de começar uma nova história?


Em primeiro lugar nunca devemos ver essas mudanças com naturalidade, pois envolve laços familiares e ancestrais. Precisamos entender que, você sempre pertencerá ao lugar onde foi iniciado, independente para onde você siga.


Obviamente não é sempre escolha do filho, há casas que após falecimento do zelador (a) fecha, problemas de convivência e as mudanças que podem ocorrer nesse percurso.


Em primeiro lugar se pergunte: Qual foi a minha motivação para fazer parte dessa casa de orisá? O que eu busco como religião e qual a motivação em continuar? 


Depois faça uma reflexão sobre os valores, se o ambiente é saudável, se você está conseguindo se desenvolver e seja sempre transparente com quem cuida de você não se isentando das suas responsabilidades com o Asé, pois não adianta ser um filho que não participa, não ajuda, não assume o compromisso com a casa e querer apontar o que está ou não certo. 


Acima de tudo tenha bom senso, gratidão e priorize o orisá. Deixe seu ego de lado e nunca se esqueça que há um propósito para todas as coisas, inclusive para nascer para o orisá. 


Com as bençãos de Oxóssi, ótima quinta-feira ! 🏹🙏🏻💙

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

10 coisas que você precisa saber antes de se iniciar no candomblé


1 – É um laço eterno com a ancestralidade. A partir do momento que você é iniciado terá a responsabilidade de honrar com o seu juramento, tanto com o céu, quanto com a terra.


2 – Acreditamos no Ori (cabeça, guardião, inteligência). Durante seu desenvolvimento como omo-orisá uma das dicas mais importantes é aprender a separar o “eu” do orisá, ambos vivem juntos, porém o “eu” protege sempre o agora, o imediato e o orisá preserva a sua evolução a longo prazo.


3 – Você ganhará uma nova identidade. Independente da cor da sua pele, você deve conhecer no mínimo a história do seu povo africano. 


4 – Hierarquia é a base da nossa religião. Portanto você vai precisar de longos anos ouvindo e aprendendo para levantar e ensinar.


5 – Nem todos vão concordar com a sua decisão. Por uma questão histórica, o candomblé é visto por muitos como uma religião marginalizada e até confundida com satanismo e outras ordens que não tem nada a ver com o que pregamos.


6 – Existe preceito. Por isso é importante saber quais são os interditos antes de se iniciar. 


7 – Não existe teoria sem prática. Você pode ler mil livros que trate de candomblé, mas por essência, nossa fé é para ser sentida. 


8 – Você ganha uma nova família. Esse pode ser um dos maiores desafios de um iniciado no candomblé, pois conflitos de personalidade, afinidades e tudo que compõe o comportamento humano faz parte do nosso cotidiano. 


9 – Orisá é caminho. Um filho do candomblé terá a sua vida transformada e, muitas vezes, pelo caos. Isso acontece também pela nossa herança ancestral, somos descendentes de homens e mulheres fortes e resistentes que enfrentaram a vida de cabeça erguida. 


10 – Reclamação é o maior “contra-asé”. Se você acredita no que você carrega e no que foi despertado na sua vida, tem que ter a confiança de que tudo que acontece ou vai acontecer faz parte do seu desenvolvimento e evolução. Murmurar é um sinal de falta de fé e confiança.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Como Ser Um Babálorixá


Muita gente me pergunta como se faz para ser babálorixá ou iyálorixá, qual o caminho que devem percorrer, que conselhos eu daria e etc. Em primeiro lugar temos que entender que ser um líder religioso requer dom e realmente ser escolhido pelos Orixás, o que não significa que apenas a “inclinação” basta, se você não for lapidado, se não aprender e adquirir experiência, será apenas um talentoso perdido e pode até encontrar seu caminho, mas será muito mais difícil, então siga uma casa de axé, se dedique a buscar conhecimento tanto teórico quanto prático, pois ambos são importantes para guiar seus futuros filhos e para fortalecer sua armadura contra a inveja, a fofoca e a difamação.
Quando você ouvir dizer que o Orixá prepara os escolhidos, tenha em mente que a vida de um sacerdote não será apenas roubas bonitas, casa cheia, uma agenda semana lotada de atendimentos e viagem internacionais, isso tudo é consequência de muita luta, pois teremos que lidar com o que há de mais delicado nesse mundo, GENTE. Iremos conviver com todo tipo de temperamento e você vai precisar se fazer ser entendido, pois para cada um o Orixá irá se demonstrar de um jeito e é sua tarefa orientar e buscar sempre uma direção para o outro, enquanto também terá a responsabilidade de tomar conta do bem coletivo e da sua própria vida, que não vai parar.
Um conselho que eu me daria há dez anos atrás é que pensasse bem na hora de escolher uma liderança, pois nem todos os zeladores do Candomblé conseguem lidar com um “filho-zelador”, existe ainda muito ego e concorrência, mas isso não é da religião e sim do ser humano. Outro conselho seria que não misturasse a vida pessoal com a religiosa, mas isso aprendemos com as pancadas da vida, pois a pior besteira que um pai de santo pode cometer é chorar no ombro de um filho ou abrir demais sua intimidade, não são todos, mas a maioria das pessoas não conseguem entender o limite entre liberdade e libertinagem.
Acima de tudo, tenha amor por sua fé, pense bem antes de agir, antes de falar, pois você é um formador de opinião e não e apenas o seu nome que está em jogo, mas também de toda uma ancestralidade. Não pule etapas, se tiver que refazer algo ou errar, seja sincero e busque sempre fazer o melhor que puder, pois será isso que o Orixá irá ver, seu coração.
Muito axé e que Olorun esteja sempre com você!

Qualidade de Ogum: Ogum Ja

Existe uma grande polêmica sobre essa qualidade de Ogum, pois a palavra “Ja” (Aja) aparece no dialeto yorubá como “guardião” e, também, como cão, sendo a denominação correta “Ogum Ja”: aquele que recebe cães como oferenda pois, como sabemos, na África o cão do mato é dado em sacrifício à algumas divindades.
Em sua liturgia, encontramos a lenda onde ele aparece como aquele que acompanha Oxaguiã e fornece ao seu povo as ferramentas agrícolas, o que faz a produção de inhame ser maior, garantindo fartura e prosperidade ao povo de Oxaguiã. Em outra lenda aparece ao lado de Jagun e Oxaguiã, ajudando-os a conquistar novos reinos. 

Geralmente ele sempre é acompanhado por Iemanjá e Oxum e, conforme descrito acima, Oxaguiã. Como Orixá guardião e ligado aos Orixás funfuns, usamos em sua roupa a cor branca, azul marinho e verde folha, além  das folhas de mariwô desfiadas, que o acalma. 

A Porta da Rua é Serventia da Casa!


Essa é a primeira frase que vem a nossa cabeça quando alguém que temos um relacionamento seja qual for, conjugue, filho de santo, funcionário, cliente ou aluno, nos questiona ou reclama de algo, mas você já pensou no impacto dessa expressão? Então vamos refletir e não se culpe, é natural da sociedade atual, onde tudo que cada vez se torna mais descartável. 
Primeiramente, o outro já sabe disso, por isso, ela é só demonstra que você está transferindo a responsabilidade e suas fraquezas para o outro e em segundo lugar, se uma pessoa te questiona ou reclama é porque tem o mínimo de consideração por você, afinal, quem quer ir embora não fica dando explicações, vai e pronto. Pense no lado positivo, se está sendo exposto um problema é para que você tenha a oportunidade de argumentar e mostrar seu ponto de vista, agora se não há mais caminhos, se a convivência ficou difícil, ponto final e segue a estrada, sem brigas desnecessárias nem ofensas.
Pense também no impacto que o seu “Não está feliz? Pega suas coisas e vai embora!” tem nas pessoas que estão em sua volta e te ouvem falar assim, naqueles que te enxergam como um líder, um amor ou um mestre. Pessoas são complexas, cada Orí é único, assim como todas as pessoas que passaram ou passarão por sua vida, existe um motivo para os encontros e reencontros que Olorun nos permite. Estamos em uma realidade (aiyè) de resgate e ele só é possível pela dor, pelos problemas e obstáculos, que devem ser resolvidos e sarados para que possamos passar para a próxima etapa e sermos mais felizes, se prender demais a eles, te farão uma pessoa amarga e negativa.
Viva bem, não para os outros, mas para si mesmo. Seja positivo e encare seus problemas de frente, na maioria das vezes, eles são bem menores quando olhados de perto.

Orixá do Dia: Oxalufã


O pai da paz e senhor da sabedoria revela, para o dia de hoje, problemas quando a convivência em família, importante saber que somos únicos e a base que construímos interiormente é o que de verdade nos fortalece, ou seja, conte com você mesmo, isso evitará decepções.

No amor, a tolerância será um fator primordial, pois preocupações em outras áreas da vida poderá invadir seu coração e generalizar tudo, separe as coisas para não cair no "tudo tá ruim".

Ritual do dia: Antes de sair para resolver problemas, principalmente de ordem burocrática, lave a cabeça com água de coco verde e peça sabedoria e paciência a Oxalá. Obs: a água não pode ser despejada no ralo, e sim em uma bacia e em seguida coloca direto na terra.

Muito Asé,

Babá Diego de Odé - Diego Tavares
Babalorixá & Consutor Espiritual


Ensinamento - Odé Karèlè (Odé Karê)


Filho de Odé Ibúalama e Iyèmonjá Asesú. Ligado ao rio como o pai, ele e sua irmã, Osún Karè, travaram uma grande disputa para saber quem era o preferido de seus pais que será narrada abaixo.
Ibúalama forjou um Ofá (arco e flecha) e Asesú preparou uma Abebé (Espelho de mão, símbolo também de fecundidade) com o poder de controlar os peixes, ambos os filhos receberão os miraculosos objetos e seguirão juntos na tarefa de encontrar Iyá Apaoká, a jaqueira, pois foi lhe dito por Orumilá que lá encontrariam a resposta que procuravam, porém deveriam fazer o caminho sem usar atalhos. 
Durante a viagem terrestre, ainda dia, Odé Karelè habilmente caçava e matava sua fome , porém Osún Karè não conhecia a arte da caça e ficava com fome, já no trecho de rio quando a noite se fazia presente, ela sabia como manusear a Abebé e matava sua fome de peixe, já o irmão não conseguia, atirava suas fechas e nada. Quando chegaram até a grande Jaqueira, eles fizeram a tão difícil pergunta e ela respondeu que eles já tinham a resposta, pois durante o caminho um sempre ficou sem comer, mesmo o outro tendo fartura, por isso, a partir daquele momento, eles iriam caminhar juntos, afinal, seriam mais fortes e teriam o orgulho de seus pais e levariam prosperidade a sua terra.

Ensinamento - Odé Onisèwè


Ligado a Osaiyn, teria sido encantado por Onilé, a mãe terra, que se impressionada por sua beleza, criou a primeira gruta e fez dela surgir água doce e límpida, porém ele precisa ensinar os homens a arte da caça, tendo que deixa-la só. 
Dizem os antigos, que usa rosa, pelo mesmo motivo de Oyá Onira, era um caçador feroz e lavado de sangue encontrou Obatalá que soprou sobre ele o pó branco, efún para acalmá-lo e por isso, tudo seu tem a cor branca, azul claro e rosa. 
Conhecido em alguns asés, como o caçador de borboletas. Onisèwè aprendeu com seu pai, Babá Dankò, a caçar as bruxas que tentavam perturbar a ordem na aldeia, onde prendiam-as no bambu fino e amarrado com um laço branco, feito por Iyèmonjá Sabá.

Ensinamento - Odé Erinle (Ibúalama e Inlé)


O caçador de elefantes, tem seu culto quase que separado dos demais Odé, isso pois Erinle não é apenas um caçador, mas também é ligado a botânica e a medicina. 
São três os momentos que cultuamos, sendo Inlé, ligado a Osún que deu a luz a Ologúnèdé. Ibúalama, quando tem caminhos com Iyèmonjá, união que resultou os gêmeos, Osún Karè e Odé Karelè e Erinle, que tem forte ligação a Iyá Otín. 
Diz uma lenda, que Erinle era famoso por sua beleza e esperteza, porém após viver com Iyemanjá, firmou um acordo de manter segredo sobre o que havia visto em sua casa, mas ele não cumpriu a promessa e ela cortou sua língua, desesperado ele vai até o fundo da rio buscar ajuda de Osún Ijimú e Osún Ominibú que devolvem lhe a voz, porém ele teria que ser coberto pela sabedoria, sem entender ele aceita, mas ao sair do rio e ver seu reflexo, ele havia se tornado velho e entendera que a sabedoria que tanto buscava estava no tempo que ele tanto havia desprezado, foi então que recebeu o nome de Ibúalama, sábio das águas profundas.

Oxum Kare


Oxum Kare
Filha do amor de Odé e Yemanjá
Água fresca que mata a sede do caçador
Pesca farta que sacia a fome dos seus filhos
Oxum Kare é a água que fertiliza a terra do justos
Babá Diego de Odé
11 4141-0167

Ensinamento - Odé Dana-Dana


E Oyá Bagan
Diz uma lenda que Oyá Bagan foi encarregada de ir em cada tribo ao redor de Oyá e aprender o segredo do Orisá líder para trazer a Sangò, pois o rei sabia que isso ajudaria ele a dominar outros povos, porém em uma dessas caçadas por poder, Bagan se viu cercada, pois fora descoberta, já noite, ela foi resgatada por Odé e a partir daquele momento, tudo que um ganhava dividia com o outro.
Ele recebe o nome de Dana-Dana
Por ser muito esperto, Odé buscava outros jeitos de caçar, pois a cada dia a fome de sua família crescia, então ele cria uma armadilha, vendo que teve vitória, cria outras diversas. Porém isso não agradou os outros caçadores, que ao persegui uma presa, ela sempre era pega primeiro pelas arapucas, então eles começam a chamá-lo de Dana-Dana, ou seja, ladrão, ainda hoje é usado esse termo em algumas tribos para chamar o outro de bandido. 

Dana-dana e Iyèwá
O caçador era conhecido por ser destemido e corajoso, porém ele guardava um segredo, mesmo tendo que caçar, ele sofria com a morte dos animais, pois sempre se batiam na hora que eram abatidos e isso causava angustia. Certo dia, ele ao perseguir um ave negra próximo a uma lagoa, viu ela se transformar em uma linda moça, era Iyèwá e como todos sabiam que não havia outro Orisá que era mais fiel ao segredo e ao mistério, ele decidiu dividir o que lhe pertubava, foi então que ela deu a ele uma poção que funcionava como tranquilizante, sendo assim, a caça não iria mais sofrer. Em agradecimento ele a prometeu nunca contar a ninguém que ela usava a forma de pássaro para vigiar aqueles que traiam seus juramentos.

Ensinamento - Odé Akueran

Ligado a Ogún Onire, Akueran é aquele que trás a fartura da montanha. Tem profunda ligação com Osún e Òbà. 
Teria sido largado por Ogún na mata, nu e sem armas, após diversas provações, ele retorna a tribo, coberto com as peles das caças e com muita carne. Ogún orgulhoso, pois só deixou o irmão sozinho para que pudesse amadurecer e como prêmio pela sua bravura, Akueran herda a tribo de Ogún, que segue para conquistar novas terras.

Ensinamento - Oyá e Seus Caminhos

(Por Babá Diego de Odé)

- Mensan: Ligada às tempestades e as mudanças de estação. Foi ela quem se opôs a Ogún quando ele queria invadir as terras de Nánà. Diz a itàn (lenda) que ele a dividiu em nove (Mensã = Dividida em nove), e ela teria dividido ele em dois, Ogún Mèjí (Dividido), dando origem a ambos cultos, por essa ração carrega nove adaga (espadas).


- Tópé: Mãe do fogo, aquela que acompanha Esú e Sangò. É ela a terra que envolve o Odú Ará (pedra do raio). Feiticeira, buscava sempre receitas para ajudar a humanidade a evoluir. Uma das mais importantes presenças no agèrè (Ritual do fogo). É comparada em seus mitos a cobra mamba-negra, o que nos indica o cuidado com que os ancestrais tratavam desse caminho.


- Onira: Ligada a ancestralidade feminina e a água. Mora onde o vento da curva e passa pelo rio . Seria filha rejeitada de Osún Òpárá e Ogún Wárìn, que foi posteriormente resgatada e cuidada por seus pais, porém antes disso passou por várias provas, até que se uniu com sua mãe e como boa artesã, confeccionou o Edan Opará, as agulhas. Forjou em cobre a primeira Eréké (máscara) usada no culto a Iyámín. (Por Babá Diego de Odé)



- Igbálè: Mãe dos ancestrais, é o momento onde Oyá dá luz a Egungún, seu último filho. Usa branco por respeito aos ancestrais e também é chamada de Oyá Furé ligada a Omolu e Iyèmonjá, é aquela que apazigua a consciência na morte ou Oyá Fònán, ligada a Ogún, é aquela que acompanha as almas até a sepultura.


- Ologúnerè: Momento onde Oyá é feiticeira e caçadora, ligada a Ibeji e Ologúnèdé. Foi ela quem colheu o primeiro galho de Iroko que caiu e esculpiu o primeiro Ère (estátua de madeira feita a imagem do Orisá). Durante a guerra de Osún e Òbà, teria escondido Ologúnèdé e de presente recebeu um Ofá miraculoso de Odé Erinlè.


 - Bágan: Senhora da noite, foi cega pelo braseiro enquanto tentava roubar o fogo de Esú para levar a Sangò. Mora na mata escura e guia os espíritos dos encantados, dividindo o mundo dos mortos com Igbálè, ou seja, aqueles que não recebem honras após a passagem, são cuidas por ela. Tem profunda ligação com Odé Danadana, ela teria coberto ele de penas de gavião para esconde-lo dos inimigo. Usa marrom, branco e cada búzio em sua roupa representa um ancestral.  


- Petù: Ela divide o clarão do céu com Ayrá. Senhora da botânica e companheira de Osayn. Teria aprendido com Iyá Ijimú e Iyá Ominibú o mistério da lama primordial. Junto com Ayrá venceu muitas guerras. Carrega a Dojé (facão) para guerra e para colher ervas e raízes. (Por Babá Diego de Odé)


- Akodun: Oyá que seria a versão mais velha de Onira, teria ajudado Osogiyon a entrar no mundo dos ancestrais e a ele deu o àtorí, por esse motivo usa branco e rosa bem claro. É dela o vento que sopra nas plantações e ajuda a fertilizar a terra. Tem ligação com Orisá Okò.


- Iyá Ègbé ou (Iyá Mensan Orún): Mãe dos abikú (crianças que nascem para morrer), são raras as suas iniciadas. É dela o caruru, comida que fez com os retos de Sangò para alimentar os Ibeji. Representa a mãe que amamenta o recém-nascido no orún (céu). Nessa itán não aparece como dividida em nove como Mensan, mas que se dividiu, ou seja, deu a luz a nove filhos.

Com muito carinho,
Babá Diego de Odé 

Especial - Testemunho

Em janeiro de 2016 tivemos um grande Candomblé de Osalá, com muitas obrigações e a casa ficou pequena para receber todos os filhos e amigos. Passado dias, fizemos o ritual do Amalá, para aquecer a casa e dar início ao ano de 2016, como é de costume no Ègbé L’ajò e pedi a Sangò que nos ajudasse a encontrar um lugar maior, com natureza e tudo que uma roça de santo precisa ter de espaço e acesso.
Em três dias tivemos a resposta de Sangò e em sete, graças a Ogún e Esú, já tínhamos o dinheiro necessário para ter o terreno. Foi uma correria, uma euforia, uma felicidade e, entre muitas opções, acabamos fechando com uma localizada no bairro de Mont Serrat - Itapevi, principalmente porque a pessoa que nos vendeu era do asé (não da minha casa) , do orisá e de Sangò, vi aquilo como um sinal, o que me deu mais segurança em colocar tudo que tínhamos nas mãos dessa pessoa, porém fomos enganados, o local não se pode construir, outras pessoas também já haviam caído nessa história e foi aí que meu mundo desabou. Como explicar para as pessoas que tínhamos sido passados para trás? Logo eu um Bàbálorisá, uma pessoa que teve oportunidade de estudar e sabe todos os tramites de uma compra de imóvel. Foram dias de terror, noites em claro, de idas a advogado e delegacia, choramos, suplicamos e tudo o que era possível dentro das leis do homem, foi feito.
Durante esse ano que passou, esse projeto ficou quietinho dentro de mim, me sentia fraco para começar novamente essa história de construir. Foi então que há dois meses, essa vontade voltou e com a ajuda de Ogún, Odé e Sangò, tudo foi reposto. Hoje temos em São Roque, um terreno que é três vezes o tamanho do que o antigo, com fonte de água, luz regularizada e todas as arvores de asé que vão ser necessárias.
Com isso eu aprendi que, devemos sempre pedir as bênçãos do Orisá, mesmo que o caminho pareça seguro. Aprendi que as provações são fortalecedores do caminho da fé e que aquilo que é nosso NINGUÉM tira e principalmente que, ser um homem de asé é acreditar mesmo quando tudo parece perdido e as luzes apagadas, pois é aí que enxergamos a força te temos dentro de nós.
Agradeço os filhos e amigos que me deram sempre força, nenhum desistiu de mim e nem do asé, lutaram bravamente, me protegeram e quero que saibam que, nunca vou esquecer o que fizeram por mim e pelo Ègbé L’ajò.
Obrigado Ogún!
Obrigado Odé!
Obrigado cada Orisá que mora nessa terra, pois tenho o privilégio de louvar e servi-los.

Com amor e muita fé,
Bàbá Diego de Odé

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...