domingo, 18 de janeiro de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
O Sentida da Oferenda
Em quase todo mito yorubá encontremos menção à oferendas aos Orixás e esse é um costume da maioria das religiões antigas que nós, do candomblé, herdamos e eu particularmente vejo como um ato muito bonito, dividir sua mesa, aquilo que colhemos com o Orixá tem todo sentido, pois acredito que sem ele nada é possível, contudo a crença de ofertar é muito maior que fazer uma comida ou dar osé no seu igbá, você precisa sentir a magia do axé, dar o melhor de você, com carinho, atenção e dedicação, afinal não é isso que você espera do seu Orixá?
No nosso culto, temos louças, precisamos de grãos e etc, tudo isso custa dinheiro e cada vez mais o que é para nós que cultuamos Orixá, é ainda mais caro, um obi R$ 5,00, uma boa sopeira, R$ 180,00 e por aí vai, isso sem falar das despesas de uma casa de axé, como água, luz, telefone... E evidentemente como vivemos em uma realidade física isso tudo é muito importante, mas não tudo e eu aprendi isso vivendo axé, pois antes de ser babálorixá eu acreditava que bastava seguir a "cartilha", participar, dar obrigações e ponto, mas vejo com a experiência que não, é muito mais, é ter o Orixá como parte de você e não como uma dúzia de pratos que de vez enquanto você passa um paninho encardido, ou deixa jogado no canto até um irmão de axé limpar ou seu zelador desmontar, por que é muito triste ver algo que demorou tanto tempo para ser feito e cultuado, tratado com total descaso.
Siga o verdadeiro Orixá, abra sua cabeça para entender o sentido que há em cada fundamento, em cada itan ou oriki, não feche seus olhos ou se limite em seguir apenas o que te dizem ser o correto, reflita, olhe com o coração e veja o verdadeiro Orixá. Somos eternos aprendizes e eu ainda quero aprender muito, mas vejo tanta gente falando besteira, se expondo, deixando de lado o tempo precioso que tinham e poderia ser dedicado a fé, mas que é usado para alimentar o rancor, ódio e fofoca que nada constrói.
Um grande abraço a todos e obrigado pelo carinho de sempre!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
O Orixá tem gosto?
Essa é uma pergunta que sempre me fazem, ou seja, o Orixá escolhe o que vai vestir, o que vai usar e etc. E a minha resposta é muito direta, SIM, pois as forças da natureza, como a água, como o fogo, o ferro, o vento... tomam consciência através do nosso culto, o nosso tempo e principalmente mediante a nossa ancestralidade, isso não explica apenas o gosto, mas a forma de se manifestar e o que oferecemos dentro do quarto de axé. Eu costumo dizer que eu não posso vestir Oxum de roupas pretas ou Lufan de vermelho, afinal eles possuem sua origem e já existe um culto para ampará-los, então para que eu vou desrespeitar o que meu antepassados já tinham como verdade?
É notável a diferença entre um filho que compra as coisas do seu Orixá com gosto e sacrifício daquele que compra com dó, que só reclama e que diretamente ou indiretamente, joga na cara do seu próprio Orixá o que ofertou. Antes eu passava por cima, entendia, mas hoje não, se não for para fazer com gosto, com amor e dedicação, eu alerto para não fazer, aliás nem entrar no axé, pois o Orixá houve nossos pensamentos, nossas dúvidas e anseios e certamente o omo-Orixá não vai ter bons resultados em sua vida, pois quem planta miséria colherá seus frutos e isso só não se aplicará as pessoas que realmente não possuem condições financeiras e oferta o que pode, para esses a compreensão e compaixão do Orixá existe e a comunidade observando a necessidade, tem que ajudar, mas tem sentido a pessoa dizer que nunca tem condições para a religião e na sua vida particular ostentar? Sempre tem dinheiro para beber, comprar roupas novas e etc. Acha que está enrolando quem? Depois a vida não vai para frente e o Orixá e o babálorixá é quem não presta, quem deixou de fazer fundamento e etc.
Então eu reafirmo que sim, o Orixá observa o cuidado e amor que você teve em fazer as coisas deles, que seja, por exemplo uma roupa feita de morim, mas que esteja limpa, engomada e bem passada, não dê qualquer coisa, não feche a mão para quem está sempre te protegendo, dê o seu melhor e receberá sempre o melhor. Quem convive comigo há anos sabe que nunca tive dinheiro para esbanjar, mas para Oxossi e os demais Orixás, seja parcelado, seja juntando, nunca deixei de dar o melhor que eu pude e não me arrependo jamais, pois se eu tenho caminhos, braços e inteligência, é porque ele me deu e isso já é por si um milagre na minha vida.
Seja feliz no Candomblé, reze, participe e oferte, assim é em nossa fé e em qualquer religião que você for seguir seriamente, mas tome cuidado apenas para não carnavalizar e colocar seu Orixá em ridículo. Bom senso!
domingo, 4 de janeiro de 2015
E vamos começar logo 2015...
Começa um novo ano e com ele a vontade de fazer diferente, de renovar a vida, mas sinto muito em dizer que a coisa não é tão fácil assim, somos a soma dos erros e acertos vividos e isso não vai mudar em um triscar de dedos, teremos sempre que nos esforçarmos para conseguir o equilíbrio, pois o tempo marca e deixa cicatrizes poderosas, que devem servi como exemplo ou podem ficar escondidas debaixo de uma maquiagem, que logo é retirada pelas lágrimas.
O Orixá e o axé estão em nossas vidas para dar sentido a todo sacrifício e consequentemente às nossas vitórias, não vejo o Orixá como uma força contrária ou que boicota os nossos planos, sei que existem mistérios e o que nesse momento não faz sentido, amanhã com certeza entenderemos. A nossa fé é tão bonita, tão cheia de encanto e como os antigos dizem, Ifá nunca nos diz não, ele sempre nos orienta, só não podemos querer que ele diga aquilo que queremos ouvir ou faça mágica.
O tempo que nos dedicamos a nossa fé, não é cronometrado ou vira “bônus” para exigirmos o que nós achamos ser importante, pois teremos que ter confiança no Orixá e nas mãos dele entregar o que os nossos olhos não conseguem enxergar, o que as nossas mãos não conseguem agarrar ou os nossos pés alcançar, esse é o candomblé que eu conheço, pois tudo que eu construí não foi a sorte quem me deu e sim minha insistência e a minha capacidade de admitir meus erros e conseguir ver as minhas potencialidades e sei que essa força, aquela que vem de dentro, foi Odé quem me deu e só por isso já sou muito grato.
Aprendi esse ano que passou, que durante a vida de um zelador de Orixá, vamos ter que respeitar a vontade e a decisão de alguns filhos, mesmo não concordando, mas nem por isso deixamos de amá-los ou admirá-los e sim que estamos tratando-os como adultos.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Olhar pelos olhos do outro
Boa tarde a todos amigos e seguidores,
Após um dia e meio de descanso, volto as minhas atividades, aos atendimentos e etc, e é muito bom tirar alguns momentos para refletir e colocar os planos, metas e pensamentos no lugar, pois lidar com pessoas é uma tarefa prazerosa, mas que se não houver uma boa administração do tempo, acaba sendo estressante, cada um tem uma história, cada um tem uma forma de olhar o mundo e esse é o desafio de um zelador de Orixá, enxergar pelo outro.
Se me perguntar se eu acredito em destino, a minha resposta certamente será “mais ou menos”, aliás bem pra menos, pois se o destino fosse uma certeza imutável, para que eu realizaríamos consultas com o jogo de búzios e faríamos ebós? Eu acredito sim que existem energias que acabam te direcionando, assim como a força do Orixá, dos Odús e dos Ancestrais que influenciam as nossas vidas, mas temos escolha, podemos correr atrás do prejuízo e positivar ou minimizar uma situação que nos negative ou que os nossos esforços não conseguem alcançar, tudo, claro com bom senso.
Me esforço diariamente para ajudar as pessoas a superarem seus medos e enxergar nelas o que há de melhor, com isso lido também com o lado mais negativo e profundo da alma humana e aprendi que a maioria de nós não sabe lidar com os sentimentos ruins e acabam dando tanta crença ao negativo que o lado bom fica quase imperceptível e aí que mora o problema, pois isso eu posso reafirmar com certeza, ninguém é totalmente bom nem inteiramente ruim, por essa razão que guardo o que é foi ou é positivo e esqueço o que é ruim ou que me desmotiva a continuar como zelador.
Pontos nos “is”, mágoas esquecidas e rancor controlado! Sigo minha vida, um dia após o outro, vivendo muitas histórias e principalmente tendo fé que existe um deus maior que nos colocou aos cuidados dos Orixás e eles nunca nos abandonam.
Muito axé e uma ótima semana!
Comunicado Importante:
Comunico,
Que nesse Novembro/2014 que acabou a pouco, também encerrou o nosso calendário de festas públicas desse ano, sendo que para finalizar as reformas que começam em junho, tivemos que ajustar as datas para Fevereiro/2015.
Continuaremos nas funções de iniciação e obrigações, porém serão realizadas internamente. Essa foi uma decisão de todos os filhos do Egbé L’ajò, pois acreditamos que o Orixá merece o melhor, assim como quem sai do conforto de suas casas para prestigiar os nossos eventos e para isso a casa tem que está em ordem.
Como Oyá havia previsto esse foi um ano de tempestades, mas também de muitos nascimentos para a religião, até agora foram mais de quinze iniciações e diversas comemorações e nos sentimos orgulhosos, pois nos mantivemos unidos, fortes e aguardamos 2015 ainda mais feliz, harmonioso e de axé.
Agradeço o carinho de todos!
Babá Diego de Odé
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Perfil do Babalorixá Diego de Odé
Bàbá Diego de Odé nasceu em um ambiente intimamente ligado às tradições do candomblé. Desde o início de sua vida, sua conexão com a espiritualidade foi evidente: sua mãe foi iniciada em Ọ̀ṣun durante o quinto mês de gestação, e, por questões de saúde, Bàbá Diego foi também iniciado ainda nos primeiros meses de vida. Ele acompanhou sua mãe em suas obrigações religiosas até a morte de sua bisavó, a lyálorixá Minervina de Ògún (Ògún Erèguedè). Minervina foi uma figura fundamental na história do candomblé, sendo a fundadora do Àṣẹ Ẹgbẹ́ Làjọ, registrado como Centro de Culto Africano São Jorge Guerreiro em 1964, em Itapevi/SP, dentro da nação Egbá Nagò.
Após o falecimento de Iyá Minervina em abril de 2000, Bàbá Diego passou a ser orientado por Pai Toninho de Ọ̀ṣun, seu irmão mais velho. Durante esse período, ele enfrentou mudanças e reiniciou sua trajetória espiritual na nação do Angola.
Em 2007, sua ligação com Odé o conduziu a um novo capítulo espiritual. Ele se integrou à nação Ketu e foi acolhido no lle Oba Oru, na Barra Funda/SP, onde cumpriu sua obrigação de sete anos, conhecida como odun ejè.
Em 2012, Bàbá Diego assumiu o posto de Bàbálorisá do Ilè Àṣẹ Ẹgbẹ́ Làjọ, cargo que pertencia à sua mãe, a quem ela decidiu passar a liderança ainda em vida, por motivos pessoais. Mesmo com essa transição, ela continuou a apoiá-lo até seu falecimento em 2021.
No mesmo ano, ele conheceu Pai Carlinho de Odé, do Ile Omi Ode Ase Esu Lola, com quem mantém uma relação espiritual até os dias atuais. A trajetória de Bàbá Diego reflete a continuidade e a adaptação das tradições afro-religiosas no Brasil, destacando a importância das relações familiares e da transmissão de conhecimento dentro do candomblé.
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