segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Uma Questão de Educação

São muitos os motivos que levam uma pessoa a ser adepto do candomblé, amor, saúde, desespero, problemas financeiros, solidão e por aí vai, porém ao contrário do passado, ninguém mais fica por medo, hoje permanecemos por AMOR, por isso o modelo antigo da hierarquia “imposta” não funciona mais, mas isso não quer dizer que eu ou você, pode fazer o que quiser na hora que bem "der na telha".


Quando você chega a uma casa de candomblé, muitas vezes a comunidade se mostra fechada ou resistente a presença de um novo membro, não se iniba por isso, pois é resultado de decepções sofrida por filhos que não tiveram consideração a atenção dada de graça. Conquiste seu espaço, a confiança do seu zelador e exerça sua função com comprometimento, respeito e com certeza terá seu lugar seguro no egbé.

Um sorriso, um “bom dia” ou “motumbá!” pode ser um bom começo. É uma questão de educação (rumbè) quem chega cumprimentar os demais, assim como falar baixo e não interromper um mais velho quando ele está falando. Outro ponto importante é o espirito de coletividade, ou seja, todo mundo está trabalhando em pró a um determinado objetivo, porque não ajudar? É muito feio ficar de braços cruzados vendo um irmão trabalhar. Não se esqueça que juntos somos mais fortes.

Uma ótima segunda-feira a todos e que Exú nos proteja!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Mais Respeito com os Mais Velhos!

Aos meus mais velhos, agradeço por todas as noites que passaram acordados em pró do Orixá. Dobro meus joelhos e abaixo meus olhos as senhoras e aos senhores que sempre tiveram uma palavra de sabedoria para me ajudar e todos os dias rogo ao meu Orixá em agradecimento por ter em minha vida os “meus egbomis”, que enriquecem meu candomblé com suas experiências e com a simplicidade de quem vê a religião como razão de viver e não como arma de opressão.

Lembro-me de uma frase de uma senhora já nos seus oitenta e cinco anos que me disse, que a riqueza do Orixá está na longevidade e na família que ele nos apresenta. Hoje vejo que ela estava certíssima em seu pensamento, pois nós, jovens, somos parte do futuro, assim como os mais velhos. Honrar aquele que te ensinou, não demonstra fraqueza ou dependência, ao contrário, mostra que você tem respeito e gratidão, sentimentos que estão cada vez mais raros e a ausência de ambos, na minha opinião, são a grande causa do caos religioso que toma conta do mundo.

Vejo no olhar dos nossos pais ogãs e ekedis, que viveram em outro tempo, o desapontamento com muita coisa que está acontecendo no candomblé, recebo e-mails de pessoas que tem idade de serem meus pais biológicos e que me pedem para interceder nessa “bagunça” que estão fazendo com a religião, fico feliz e honrado pela confiança, mas me entristece ouvir ou ler as palavras de preocupação de quem viveu a dor e a perseguição de ser de Orixá.

Pedimos respeito aos mais velhos! E aos egbomis pedimos apenas um minuto de sua sabedoria e que divida conosco suas experiências e seu axé, sem vocês não teremos força para levar um candomblé verdadeiro, de raíz.

Atenciosamente

Babá Diego de Odé – Egbé L’ajò/ Itapevi – SP.

Mensagem de Axé


O que o Orixá tem para me oferecer?

Essa é a pergunta do momento, afinal o “mercado de almas” está concorrido, é só ligar a televisão de madrugada e você verá nossos irmãos pentecostais, prometendo um futuro milionário em Cristo. A  cada dia que passa isso fica mais forte no inconsciente coletivo, e quando a pessoa chega no candomblé, também faz esse questionamento, como se tivesse oferecendo sua vida em troca de riqueza.

Dentro da cultura do Orixá, temos nosso oráculo que identifica as energias que possibilitam ou negativam uma situação na sua vida, e com isso podemos orientar as pessoas que nos procuram, contudo a partir do momento que você é escolhido pelo Orixá para fazer parte de sua família, a fé tem que vim em primeiro lugar, pois o amor no seu Orixá com certeza te trará uma energia boa e assim sua vida “vai para frente”. Em todo relacionamento é necessário provar e reafirmar sua lealdade e dedicação.

Quem é zelador de Orixá, sabe o quanto é difícil olhar o filho passando por uma situação ruim e saber que aquela “provação” faz parte do seu destino e se for retirada hoje, amanhã ela volta com mais força, pois é o que eu chamo de “degrau de evolução”. Então, choramos juntos, nos abraçamos e superamos, tornando assim os laços fraternos mais fortes e provamos o nosso valor perante ao Orún.


Você que é do Orixá e está passando por um período difícil, busque entendimento e não perca sua fé, não se venda a esse mercado de promessas fáceis. Reafirme sua confiança daquilo que você carrega.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Criticar é fácil!


É só pararmos meia hora para olhar o feed do Facebook e lá vem alguém escrevendo sobre o mal comportamento dos yawòs. É impressionante o número de egbomis que criticam os mais novos. Será que esse é um problema novo? Eu acho que não! Em todas as épocas, yawò sempre será yawò e a missão daqueles que já passaram por esse período, é educar e dá carinho aos mais novos e não ficar “chicoteando”.


Eu costumo dizer que dentro do primeiro ano, quase tudo é perdoado, pois muitos demoram a entender o tamanho da responsabilidade que carregam. Obviamente, não devemos fazer vistas grossas para a falta de índole, seja a pessoa abiã, yawò ou egbomi, afinal se ela não tem valorizes, em anda irá acrescentar ao seu axé e certamente irá sujar o nome da religião.

Muitas vezes a questão da “falta de pecado” no candomblé é confundida com libertinagem, ou seja, tudo pode. Eu aprendi que o candomblé não tem a visão católica de pecado, mas como todas as religiões, existem regras e um código de ética que nos resguarda. O Orixá não desiste de seus filhos e acredita no arrependimento, pois mesmo que ele não mude o que já aconteceu, pode transformar seu futuro e servi de experiência para as próximas guerras.

O Medo é uma arvore que até dá frutos, mas nunca poderá se comparar com os frutos gerados pelo Amor.

O que falta é união. Será?

Quando eu vou a qualquer evento, não vou para reparar ou para apontar erros, se eu posso ajudar muito bem, se não posso, também não atrapalho, pois a minha postura não me permite desrespeitar o outro, seja a casa de Ketu, Angola ou Umbanda, pois quem tem educação, sabe entrar e sair de qualquer lugar. Se eu vejo algo que vai contra o que eu acredito ou venha ferir  meus valores,  não vou ficar batendo palma, afinal tenho amor ao meu Ory e não vou deixar ele em um ambiente ruim e que me negative.

Vejo muita gente falar sobre a falta de União, mas sinceramente, eu prefiro ficar na minha casa, do que “rodar macumba”,  ficar nesse leva e traz que não tem fim e que é presente em nossa comunidade, essas criaturas se esquecem que toda casa de axé tem seus guardiões que zelam pela integridade e estão sempre vigiando. É claro que ver o que estou falando, é só observar a vida dessas pessoas, pare e repare o tamanho do ajé que carregam. Não é da minha conta, mas esse povo não tem família, amigos, vida social fora da religião? Pois é, eu tenho.

Amo o candomblé, tenho os meus ídolos, mas sou totalmente contra o fanatismo e essa tal “união forçada”,  temos que ir a casa de axé do outro, por amor ao Orixá e consideração ao sacerdote que está ministrando o candomblé e não para fazer bonito ou se promover. Quem tem luz própria não precisa disso. Estou escrevendo a esse respeito, porque eu recebi uma mensagem, onde um rapaz me relatou que em sua casa de axé, o zelador diz aos filhos de santo que tem que dá churrasco e cerveja a vontade, porque senão ninguém vai a sua festa, e os que vão, saem de lá falando mal. Olha que absurdo! Agora me diz, cadê a fé?
Independente de ser vida pessoal, religiosa ou familiar, seja você mesmo!


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Valorização do Candomblé


Nós, adeptos da religião dos Orixás vivemos em uma sociedade cristã, que o tempo todo nos critica e nos aponta. Eu desde muito pequeno tive que lidar com o preconceito, afinal todos da escola que eu estudava, sabiam da religião dos meus pais, pois morávamos em uma casa de candomblé e não foi nada fácil lidar com o que hoje chamam de bully. Me tornei sacerdote aos 19 anos e tive que me dividir entre escola, trabalho e os afazeres na casa de candomblé e vivencio todos os dias os prazeres e desprazeres da vida de um líder religioso.


Ontem em uma conversa muito interessante com amigos de outras religiões, surgiu a seguinte pergunta:

- O que você, Babá Diego, vê de negativo na sociedade de candomblé?

E eu o respondi:

- Nossa religião é extremamente hierárquica e por conta disso o maior problema que existe é a questão da “guerra das gerações”, os mais novos reclamam da falta de apoio do mais velho e em contra partida, os mais velhos reclamam da falta de respeito por parte dos mais novos. Isso divide nossa religião e consequentemente nos enfraquece. Atualmente existe uma “explosão” de novos axés e muitos acabam esquecendo que para ser um babálorixá ou uma iyálorixá, não basta apenas ter nascido com o dom, é preciso lapidá-lo e com a experiência dos mais velhos, podemos aprender mais, evitando os erros passados, pois todo cuidado é pouco, quando lidamos com vidas. 

Nesse dialogo surgiram questões interessantes, como responsabilidade social e ambiental, mas gostaria de dividir com vocês, pois dialogando podemos apontar os erros e tomar ações que faça nosso convívio melhorar e nossa religião ser valorizada.

Uma ótima segunda!

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...