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Mostrando postagens de Novembro, 2015

Série Orisás: Omolu, senhor do mistério

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Uma frase que marcou minha vida foi “Omolu é o orisá que carrega a doença sem deixar que ela encontre seus filhos”, e assim é esse Orisá, um dos mais enigmáticos do Candomblé. Sua palha encanta e guarda o mistério da vida e da morte, guarda uma rica liturgia, que é em parte revelada no Olubajé, o banquete do rei. Omolu também é ligado a terra, ele envolve a semente para que ela semeie e dê grãos para alimentar seu povo. Rigoroso, mas amigo, Omolu está presente em todas as iniciações, pois é sobre uma esteira que repousa os iyáwòs. Com suas palhas são feitos também os ikan, entrekan, kelè, saorò e o mokan, símbolos importantíssimos no Candomblé e que guardam a segurança espiritual do noviço. O senhor da doença é também chamado de Rei, mas não de riquezas materiais e sim de honra, gentileza e compaixão, chamado carinhosamente de "médico dos pobres".  Amigo e pai presente para seus filhos, que em sua maioria chegam na religião por motivos de doença, a ele atribuo muitas curas …

Sacerdócio – Um eterno caminho de aprendizado

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Acredito que como a maioria dos lideres religiosos, o sacerdócio se manifestou muito cedo na minha vida, uma pré-disposição que foi observada e orientada ainda na infância, pois tive a sorte de nascer em uma família espiritualista e em meio ao Candomblé, Jurema e Umbanda, aprendi a amar e respeitar os Orixás, os Mestres e as Entidades. Não foi um caminho fácil, principalmente pelo preconceito que no inicio da década de 90 era ainda mais forte que nos dias atuais e a adolescência foi um dos períodos mais difíceis, pois além dos dilemas básicos da idade, ainda tive que enfrentar separação dos meus pais, morte da nossa Iyálorixá e dificuldades financeiras, mas consegui vencer e agradeço pelos cinco anos, dos treze aos dezoito de idade. Considero um período de treinamento intensivo que me ensinou o valor do trabalhado, aliás, tive meu primeiro aos quinze anos de idade, como designer gráfico e também nunca parei de estudar. Aos vinte anos me tornei pai de um lindo menino e também líder es…

O Tempo e o Orisá

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Agimos como se tivéssemos todo tempo do mundo, como se nunca fossemos morrer, mesmo sabendo que um dia Iku chegará e nos levará. O candomblé é baseado nas forças da natureza, no principio e no fim e aprendemos que não há porque ter medo da morte, devemos respeitá-la e sendo inevitável, nos preparar e valorizar cada dia, cada segundo, nada de prender sua vida a guerras sem sentido, rompa a casca, rompa a barreira do orgulho e seja feliz. 
O tempo é primordial para a evolução da alma, sem ele, sem vida e morte, estaríamos até hoje nas cavernas, entediados, pois mesmo que eu queira viver muito ainda, acredito que não há nada mais deprimente que viver para sempre. O Orisá e o tempo caminham juntos, olhe quantas adaptações o culto a Orisá sofreu e mesmo entre tantas guerras, escravidão, se perpetuou e hoje somos negros, brancos, asiáticos, europeus, ajoelhados perante ao sagrado, não é mágico? Será que se fosse uma mentira, teria chego até hoje?
Valorize seu tempo, viva plenamente e não te…

Série Orisás: Odé - A fome do caçador, a dor da caça

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(Textos baseados naquilo que vi e vivi) Senhor da caça como seu próprio nome já demonstra, Odé(caçador), tem seu culto muito difundido no Brasil, e é presente em todas as nações africanas. É senhor da flora e da fauna, da fartura e protege aqueles que ajudam a estruturar a sociedade e buscam evolução, os pensadores, os ambientalistas, os professores, os veterinários, os agropecuários e etc. Um fato muito interessante é que Odé protege tanto o caçador quanto a caça, costumo explicar aos meus filhos que ele sente a fome do caçador e a dor da caça abatida, por esse motivo as mortes e sacrifícios desnecessários provocam a ira desse Orisá.  A Odé ou como também é chamado, Oxossi, título que recebeu na famosa ítan(lenda) onde mata o grande pássaro que apavorava o povo de Ketu. É patrono das nações jeje-nagô, aliás, hoje nossa nação Ketu, recebe esse nome pela boa fama e prosperidade que tinham as casas onde Odé era patrono ou fundador. Outro ponto que demonstra sua liderança e na ítan de O…

Série Orisás: Ogún

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(Textos baseados naquilo que ouvi e vi)
Entre todos os Orisás o que tem personalidade mais marcante é Ogún, sempre determinado, objetivo, com ele não existe duas palavras. Senhor da guerra e do ferro, Ogún veio à terra para desbravar, para abrir caminhos para os demais orisás, ele é o nosso herói, aquele que deu ao homem as ferramentas para o cultivo da terra e construiu a base da sobrevivência, é dele o lar, é dele a agricultura, é dele até mesmo a aliança de metal que simboliza o respeito, a confiança e o amor.  Pelo carinho e respeito à humanidade, que o guerreiro Ogún também é estreitamente ligado à ancestralidade, sendo guardião do culto à Égùn, afinal seu irmão Esú sempre desafiou a morte ensinando aos povo da terra, ebós e magias para alcançar vida longa, sendo assim Ogún toma a sua frente e guarda os nossos mortos. Todo iyáwò, para nascer para o orisá, precisa de Ogún, pois é dele a navalha, é dele a faca, é dele os utensílios de ferro e aço que usamos na cozinha da casa de as…