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Mostrando postagens de Abril, 2013

Se libertando para ser feliz!

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Há nove anos segui para um outro axé, deixando para trás tudo o que eu cresci acreditando. Rompi a bolha na qual eu fui criado e decidi trilhar um novo caminho. Foi um dos períodos mais difíceis da minha vida. Passei por todas as fases, da confusão a reflexão. Hoje, olhando para o passado, eu digo que faria tudo de novo, pois isso me construiu como pessoa, mas se eu não tivesse sido forte e sido amparado, com certeza eu teria desistido da minha fé no Orixá.
A “luz” do conhecimento, pode te cegar, pode te deslumbrar e eu que tinha saído de uma casa, de um axé pequeno e muito fechado, quase cai no erro de me achar parte da “verdade absoluta”. Bajulei os mais velhos, aceitei e baixei a cabeça para muita coisa que ia contra minha educação e valores, até que um dia, desabafando com uma pessoa muito sábia, ela me disse que é e sempre seria assim, pois aqueles que ditavam regras já estavam apoiados e bem “assentados” em suas posições e o que eu poderia fazer é não ter a mesma postura que eles…

A Responsabilidade de Ser Iniciado no Candomblé

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Quando você se inicia na fé do Orixá, temos que a noção da responsabilidade que iremos carregar, será o nome do seu Orixá e do seu zelador (a), que estará em jogo, afinal você foi escolhido para fazer parte de uma comunidade, que acreditou em você.

Os Yawòs precisam ter uma postura mais séria, mais serena e comprometida com sua religião e com suas próprias vidas. Sou extremamente contra o fanatismo, acredito que tudo que é demais, acaba uma hora ou outra fazendo mal, existe um tempo para tudo e com um pouco de interesse conseguimos sim participar da casa de axé com vida pessoal.
Meu papel é orientar e acredito que a partir do momento que nós, filhos e pais, tivermos mais consciência daquilo que carregamos e do que somos, iremos com certeza se tornar uma religião muito mais forte. O grande problema é que acabamos despejando os problemas na religião, culpando o Orixá, ao invés de olharmos e repararmos nossas atitudes e a nossa postura perante a vida. Vamos acordar meu povo! Pois com sant…

Perdidos na Modernidade

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No meu post sobre mudança de axé, surgiu uma outra questão muito interessante, como se adaptar as novidades do Candomblé? Em primeiro lugar devemos entender a diferença entre o novo e o pouco praticado. Sabemos que o candomblé passou muitas décadas nas mãos de pequenos grupos fechados e que o acesso a sabedoria do Orixá era muito difícil, afinal era uma religião extremamente família, contudo desde dos anos 80 houve uma expansão do culto e a explosão de novos axés, todos cultuando Orixá, mas cada um com sua marca, com a sua forma de cantar, de dançar e expressar sua fé. Por isso tem muita coisa que não é novo e sim pouco sabido.

É comum ver um mais velho, que tenha mais de trinta anos de iniciado, ter dificuldade em se adaptar com essas “mudanças” e as “modernidades” que surgem a cada dia. Defendo que temos que sim, buscar o melhor, se voltar para nossa crença sem se apoiar em outras religiões, mas com o cuidado de não perder a essência, ou qualquer dia o Orixá não vai mais conhecer seu…

Making of - Festa de Erinlè

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Bom dia leitores.

Ontem tivemos uma excelente reunião administrativa no Egbé L’ajò, conseguimos definir cardápio, decoração, tema e delegação de deveres referentes a festa de babá mi Erinlè. Fiquei muito feliz com o resultado e principalmente por ver o interesse e a participação dos meus filhos. 

Uma ótima sexta para todos!

Mudança de Axé

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Há vinte anos, a coisa mais difícil de ouvir é que alguém tinha mudado de casa de santo, quando o filho de santo tinha um problema com a casa de santo, ou resolvia, ou ficava afastado durante um tempo ou então virava crente. Hoje as coisas são bem diferentes, se a pessoa se inicia em uma casa e surge um conflito, logo vai para casa de outra, sem pensar duas vezes. Eu passei por isso e foram mudanças drásticas em pouco tempo, mas com elas eu aprendi algumas lições.
Quando se entra em uma nova casa, não se deve esquecer o que aprendeu anteriormente, contudo você precisa estar aberto as novas informações, a uma forma diferente de cultuar o Orixá. Casa nenhuma vai se adaptar a você, por isso se uma nova porta se abriu e te acolheu, dê valor a essa oportunidade, não crie barreiras com as suas verdades, se você procurou um novo caminho, deve se empenhar para fazer diferente e desta vez dá certo. Ficar mudando de casa não é bom para o desenvolvimento espiritual e querendo ou não, sua vida pod…

A Chama da Fé

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A partir do momento que deixamos uma causa nas mãos do Orisá, temos que ter confiança e paciência, pois o melhor caminho com certeza estará sendo traçado. Um ebó, uma oferenda ao Orisá, nos abre novas portas, oportunidades essas que só nos damos conta depois de tudo resolvido. Somos seres humanos e nascemos de costas para a Fé e passamos a vida toda tentando acha-la. O que é certo? Qual a religião certa? Perguntas como estas, nos seguem até o último suspiro de nossas vidas, onde só temos o coração como bússola e o amor como Norte dessa caminhada. O Bem e o Mal são forças naturais e que estão presentes em cada um de nós e a Fé é a energia que Deus nos deu para combater a escuridão e seguir um caminho de luz e evolução, mas eu confesso que nos dias de hoje se manter firme é uma coisa quase sobre-humana. Todos os dias surgem novas religiões, novas igrejas, novos asé´s e porque? Que ansiedade e vazio é esse que nos faz criar tantas forças de amar e adorar a Deus? Acho que isso nasce do e…

A Crise dos Sete Anos

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Para muitos, iniciar-se no candomblé já é difícil, mas nada comparado a obrigação de Sete Anos e quando falo de dificuldade, não é a financeira, mas a psicológica, são tantas dúvidas que surgem, sem falar do medo das novas responsabilidades e de não conseguir corresponder as expectativas é aí que surge a famosa "Crise dos Sete Anos".

Eu passei por isso e vejo muita gente passando por esse mesmo dilema. A coisa fica ainda mais difícil quando você, no período de yawò, passou por várias casas e não conseguiu absorver conhecimento, não aquele “saber” dos livros e da internet, mas sim o da vivência, que só se ganha no dia dia. Ou então, tomou as obrigações na mesma casa, mas não se dedicou ao aprendizado. Eu já vi isso acontecer algumas vezes e na grande maioria dos casos, o filho acaba saindo da casa após tomar seu odú ijè, onde ele se aproveita de qualquer desculpa, para deixar de assumir que não sabe qual seu lugar na casa e no axé, depois de se tornar um egbomi.
Nunca se é tard…

A Confiança

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No candomblé de Ogum que foi realizado todo na nação Egbá, pude ver e sentir a confiança dos meus filhos, prova disso é que todos os Orixás, mesmo os iniciados em Ketu, responderam durante os atos eu foram realizados. Refletindo, eu cheguei a conclusão que isso aconteceu por conta da força da energia e também porque o Ory dos omo-Orixás confiam em mim e mesmo que o culto seja diferente o Orixá demonstrou que a essência é a mesma e que o amor a casa transcende essas “regras” impostas pelo homem.
Foi um momento de relembrar  o passado e vários fatos vieram a tona, um deles aconteceu quando eu tinha 15 anos estava em candomblé de um amigo que é da nação Angola e uma das pessoas que estavam assistindo entrou em transe e o dito zelador que estava o acampando desvirou o Orixá dizendo que,  ali não era lugar para ele, que ele era feito de Ketu. Tanto naquela época, quanto hoje que também pertenço a Ketu, penso que isso é ignorância, que se o Orixá respondeu em uma casa diferente, de nação dif…

Dica

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Mesa de Egbomi: Quando as diferenças são humanas e não divinas

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Hoje estive pensando na vontade do Orixá, onde muitas vezes agimos por conta própria e não pela permissão de nosso santo, mas mesmo quando caminhamos por uma estrada diferente, ainda sim o Orixá está do nosso lado e nunca é tarde para tentar reparar os erros do passado e olhar para frente, o melhor perdão é aquele que reforça a consciência e nos faz melhor.


Um exemplo que não é visto, mas é sentido é quando eu entro no quarto de santo e noto ainda a presença do Orixá de algumas pessoas que já não fazem parte do axé, como explicar o fato do filho ir, mas o axé do seu santo continuar na casa? Acredito que isso significa que as diferenças são humanas e não divinas, o fato do filho seguir outra estrada, não quer dizer que seu Orixá não irá ajuda-lo, mas sim que ele não concorda com o afastamento do lugar que o tratou bem, que cuidou e seu axé não tem porque se revoltar e deixar o ilê axé.
Religião tem o papel de orientar sua fé e te fazer melhor, por isso peça ao seu coração que te mostre o…

Mensagem do Dia

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Iniciação no Candomblé - Hora da Decisão

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Quando é momento certo de se iniciar na religião dos Orixás? Onde fazer? Com quem? Será que esse é meu Orixá?
São essas as dúvidas que latejam na cabeça de quem está para se iniciar no candomblé e acreditem elas são pequenas em vista das que surgiram no seu caminho rumo a espiritualidade. Como eu digo, Fé não se ensina apenas se orienta e é para isso que nós zeladores existimos, para encaminhar e cuidar dos filhos dos Orixás como se fosse nossos. 
Cada um tem seu momento certo de conhecer o mistério do Orixá e não existe regra genérica, pois somos únicos, para alguns, isso acontece até mesmo antes de nascer  e para outros o tempo certo só chega já na maturidade.
Hoje existem um número grande de casas de santo e a dúvida onde se iniciar é ainda maior que nos tempos de minha bisavó. Mesmo que o Orixá te indique o lugar, a escolha é sua, afinal temos livre arbítrio, mas para ajudar na escolha eu sugiro que você tenha uma conversa franca com o zelador (a) do ilê axé, firme um contrato verbal…

Mexeu com meus filhos, mexeu comigo!

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Ontem já no final da noite, decidi ver três situações no jogo de búzios, referente a filhos de santo e nos três casos existiam feitiços envolvidos, como eu não sou de encanar, continuei jogando e Ifá insistia que existiam coisas feitas aos meus filhos e pior duas das pessoas responsáveis passaram pelas minhas mãos e a terceira é um ex zelador. Foi aí que a fúria tomou conta de mim, como eu digo candomblé não ensina o mal, quem ensina é a vida e à essas pessoas eu posso garantir que filho meu não caí com macumba, pois eles são muito bem feitos e preparados, o vento pode soprar mas essa casa é feita de alicerces fortes.

Durante a noite, essas situações ficaram remoendo meu pensamento, como pode as pessoas perderem tempo para prejudicar a outra. Porque não investir esse dinheiro e esse tempo em melhorar elas mesmas. Se você foi um péssimo marido, uma pessoa arrogante que não para em lugar nenhum por causa da sua falta de índole e perdeu a mulher, tente melhorar, procurar ajuda, lembrando …

Construindo um Candomblé Melhor - 10 Atitudes que o Axé espera de você

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Durante a função de Oxalá, em conversa com meus filhos, um egbomi de casa perguntou:

- O que é ser um bom filho? O que ele tem que fazer para ser considerado uma pessoa boa para o axé?
Durante esses dias eu fiquei pensando nisso e listei 10 atitudes.