terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Qual a “qualidade” do seu Orixá?

Todos que são iniciados no candomblé Ketu, acredito que já devem ter ouvido essa pergunta e o que sempre me questionam é, qual resposta que um yáwô deve dar.
Vou narrar uma história que aconteceu comigo há alguns anos:
Estava acompanhando um amigo zelador em um candomblé de Xangô e havia muitos “mais velhos” presentes, até que entre um “motumbá e outro”, um yáwô bem novinho se aproximou de uma ebomí e se apresentou:
- Benção M. Fulana?! Meu nome é Cicrano de Yèyè Opará.

Ela respondeu prontamente:
- Oxum te abençoe, você também é de Oxum? Quem é seu pai de santo?

E ele respondeu:
- É Pai Betrano de Yá “Gunté”.

Novamente, desta vez em tom irônico ela responde:
- Assim, Pai Betrano de Yemanjá... não, não o conheço.

Após o yáwô ir embora, ela abaixou a cabeça fazendo sinal de reprovação. 
Meses depois, tive a oportunidade de sentar para conversar com essa mesma ebomí, que também é yálorixá e como aquele assunto não havia saído da minha cabeça, relembrei o ocorrido e perguntei o motivo da reprovação e ela me respondeu assim:
“Meu filho, nós vamos para o candomblé para resgatar a nossa essência e aprender a vida, porque nos sentimos peixes fora d’água lá no mundo, aí você chega, faz santo, sabe que tudo nessa estrada se depende do próximo e aí, ao invés de se misturar, de pertencer a um grupo, o camarada quer ser mais que os outros, além de ser raspado no santo, catulado e “adoxado”, não basta, isso hoje em dia é comum demais, se ele não tiver qualidade, cor de kelê e fio diferente, já não tá bom, todo mundo quer se sentir especial e é onde mora o problema da nossa religião, onde o ajé entra nas casas de santo. Vaidade é ter as obrigações em dia, uma roupa de ração limpa e ajudar todo mês a roça, o resto é uma grande bobagem".
Refleti anos sobre essa conversa, pois quem me acompanha já leu muita coisa a respeito de “qualidade”, mas essa visão, também é muito interessante, afinal além do seu babálorixá e você, não interessa a ninguém as particularidades do seu Orixá, por isso, a melhor resposta é:
“Sou de Ogum (Oxossi, Oxum, Yemanjá...), estou dando os meus primeiros passos e não tenho propriedade para falar de "caminhos de orixá", mas sei que sou filho de (........), neto de (........), da nação (.........)".
Essa é a melhor resposta, sua casa de axé é preservada e sua educação de axé também.
Com carinho,
Babá Diego de Odé
(11) 96617-8726
*Ilè Asé Ègbé L'ajò Ògún Èrèguedè

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lá se vai mais uma primavera

As minhas alegrias e tristezas sempre foram divididas com vocês, minha família, amigos e seguidores, há mais de oito anos nas redes sociais, 1.500.000 de visualizações do blog (terradosorixas.blogspot.com.br), 50.000 curtidas na fanpage, 5.000 amigos aqui no Face e como eu alcancei essa marca? Simples, eu compartilho diariamente minhas experiências pessoais e religiosas sem filtros, com o tempo as coisas foram acontecendo, porém eu fui ficando mais seletivo, acredito que a própria idade me fez enxergar as guerras que eu queria ou não enfrentar, aquele menino de vinte e poucos anos que questionava tudo foi dando lugar a um cara mais maduro e que pensa mil vezes antes de se posicionar, mas com uma identidade bem definida e sem medo de ser quem sou. 

Aos 31 anos aprendi que, tudo teve um sentido, cada sorriso, cada lágrima construiu quem eu sou e a maior lição desse 2017 foi o “exercício do perdão”, não aquele da boca para fora e sim aquele que sai da alma é aplicado em atitudes. Me perdoei, reconheci erros e principalmente a importância que cada tombo, rejeição ou decepção que existiu na minha trajetória e mais uma vez o Orisá se mostrou presente e muita gente em volta pode se contagiou e hoje colho histórias de finais felizes, pois não há alivio maior que se livrar do peso da mágoa e do rancor.

Hoje, só tenho a agradecer a família, amigos e irmãos da religião que a vida me deu, sou privilegiado em todos os sentidos e não tenho nada para reclamar, aquilo que poderia faltar, eu acredito que Deus já está olhando e se eu não tenho é porquê não é o momento, afinal outra lição aprendida é que o coração é algo que não se cura de uma hora para outra, temos que dar tempo ao tempo e ainda acredito que não há nada mais poderoso que o poder do “o que é”, onde a busca pela felicidade está em encontrar sentido e alegria no que há hoje, o futuro é apenas uma projeção, fazemos tantos planos aí vem a Vida e muda tudo.


Compreendi acima de tudo que estar preparado é diferente de estar engessado em verdades absolutas e velhas armaduras, que só servem para se defender de fantasmas que não existem mais e por favor, nada de mi-mi-mi.

Obrigado a todos os Orisá
Obrigado pai, mãe e família
Obrigado filhos e parceiros do Ègbé L’ajò
Obrigado amigos e seguidores das redes sociais
E obrigado a vida, por me mostrar que não há força maior que o amor e a fé!



Diego Carvalho

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Preservação do Candomblé

Durante esse dez anos de sacerdócio fui aprendendo lições valiosas conforme a observação e aplicação dos fundamentos e atos que vamos agregando, principalmente quando se trata da necessidade de um filho ou parceiro do axé. E o que escrevo hoje não é uma critica a minha religião, longe de mim, pois o Candomblé é a minha vida e tudo o que há nele é importante e me serve, mas expor minha visão sobre o cotidiano e que isso possa ajudar outros irmãos que estão começando a trilhar esse caminho de fé.
Nossa fé ficou muito tempo focada em resistir, seja os ataques dos cristãos, seja político, o que nos manteve unidos, mas atualmente temos que resistir aos irmãos da própria religião, diariamente recebo mensagens de zeladores que reclamam sobre a falta de ética e respeito dentro muitas vezes da própria família de axé, onde aprendemos nos ensinamento ancestrais que se somos de uma única família, teremos a mesma reza do obi, a mesma “mojuba”, ou seja, se a casa do meu irmão não foi boa, a minha também não será, mas no dia-dia não é bem assim que acontece. Eu mesmo já recebi filhos vindos de outros asés e eu digo, há casos e casos e que devem ser devidamente analisados, se isso acontece hoje, minha postura ou de um cargo (Iyáègbé ou Iyáojubonã da casa) é ligar para o zelador e ouvir, caso ele queira, a versão dele, para aí sim, tomar a decisão de abrir as portas para esse novo filho. Infelizmente tive que “apanhar” para aprender e isso não preservar apenas sua família de axé, mas também a própria pessoa que amanhã ou depois não terá manchas em sua história religiosa.
As leis do Candomblé podem não ser escritas, mas são transmitidas oralmente, para aquilo que elas não alcançarem, lembre-se da sua figura religiosa, olhe para o irmão pastor, para o irmão padre e me apoio sempre na seguinte definição:
“O líder religioso tem a função de preservar e de repassar os ensinamentos religiosos, ele é considerado o guardião, aquele que é responsável em transmitir a palavra sagrada que deve ser preservada e repetida, sem traí-la nas suas originalidades.”
Com as guerras “internas” quem perde é sempre o Orixá, que tem sua palavra e culto prejudicados por aqueles que ajoelham e pedem axé, pedem prosperidade, saúde e amor, mas para que? Para amanhã usar isso contra o próximo? Para se beneficiar sempre em tudo ou Orixá não presta ou o zelador não tem axé. O nome disso é mistificação e não podemos mais tolerar isso.
Espero que tenha ajudado e até o próximo assunto. Continuem mandando suas dúvidas inbox ou pelo e-mail, terradosorixas@hotmail.com
Bàbá Diego de Odé
(11) 4141-0167

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Atendimento com Jogo de Búzios

Como funciona?
A consulta é feita com o Merindilogun, o que chamamos popularmente “Jogo de Búzios”, onde sete áreas da sua vida são analisadas energeticamente.
Ancestralidade: marcas herdadas dos seus antepassados que influenciam o momento.
Destino: o atual momento.
Cabeça: como você está recebendo energia.
Coração: que força seu emocional tem de gerar, positivo e negativo.
Prosperidade: a forma com a qual você lida com seu lado financeiro.
Corpo: relação a sua saúde.
Caminho: qual é o seu potencial energético.

Todos esses campos vão ser confrontados por três visões, a do Orisá (divindade), ori (eu) x a da ègbé (comunidade). Com essas informações seu caminho se torna mais seguro na hora de tomar uma decisão, lembrando que o destino é escrito conforme suas decisões (arbítrio) e muitas vezes as orientações não serão apenas espirituais, mas também ao que se refere a comportamento, que devem ser devidamente seguidas para chegarmos aos resultados desejados.
Bàbálorisá Diego de Odé
Consulta com hora marcada. 
Telefone: (11) 4141-0167
Whatsaap: (11) 96617-8726

#Jogodebuzios #Candomblé #Orixá

Relacionamento x Vida Espiritual

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