quarta-feira, 2 de abril de 2014

Escuta aqui!


É impressionante a capacidade do ser humano em enganar, trair e querer “armar”, mas esses se esquecem que nós que carregamos Orixá, somos protegidos e guardados.

Vocês que falam, que tramam, que perdem seu tempo fazendo fofoquinha, veja a vida de vocês como está? E porque ela está assim? Por que você perdeu tempo demais cuidando da vida alheia.

O Egbé L’ajò tem cinquenta anos de história e não foi fundado por mim e sim por uma grande senhora e também minha bisavó a Iyá Minervina de Ogum, e hoje eu e a Iyá Rose de Oxum levamos a casa, buscando sempre melhorar e crescer. E pela clareza que gostamos de tratar de tudo em nossa gestão que eu venho aqui responder os ataques "ocultos" ou não.

Nossa casa durante a festa de Oxalá desse ano, recebeu sim a visita da Polícia Rural, denuncia feita e que em nada deu, pois estávamos agindo dentro da lei. Questão essa que eu mesmo divulguei aqui, pois outros zeladores também passam por isso.

E festa de Ogum da minha bisavó é um evento em Egbá sim, pois foi uma promessa que fizemos à Ogum quando migramos para a nação Ketu e mesmo sem convite na internet, a festa estava cheia, lembrando que a festa de Ogum e Oxossi no calendário Ketu, será em maio.

O fato de eu ter, junto com os filhos, decidido tocar os candomblés fechados para usar essa verba para construir um novo barracão que acomode melhor os Orixás e seus filhos, está gerando o disse me disse entre o povo da banda podre, coisas como “será que tá fechando”... DEIXO CLARO, NÃO ESTAMOS FECHANDO, apenas não quero explorar meus filhos de santo.

No mundo de hoje, onde tudo é preto no branco, as pessoas devem tomar cuidado com que falam, principalmente aqueles que eu abro as minhas portas para receber de coração. "Navalhas" ou não, em casa todos são bem tratados, todos recebem os mesmos ensinamentos e eu vou continuar agindo com a mesma verdade que me trouxe até esse ponto da minha vida e que está dando muito certo. 

Tristezas, decepções, vamos sempre ter, assim como gente que dentro da sombra da inveja, culpa e frustração, irá torce contra e espalhar esses tipos de boatos, mas para vocês, MEU SINCERO SINTO MUITO, afinal enquanto vocês latem, eu passo e sigo como sempre fiz, pois carrego o Orixá no coração e não de boca.

Peço desculpas a todos os amigos do meu querido Face que acompanham o meu trabalho, é que tem coisas que não dá para relevar e não se posicionar. A única coisa que eu peço é que essas pessoas fiquem muito bem na vida, mais bem LONGE de mim.

Muito axé para todos!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Preceito de Iyáwò: Sair na Rua após anoitecer

Esse é um preceito que parece ter caído no esquecimento de muitas casas e associo que isso vem acontecendo devido a questão do iyáwò precisar trabalhar mesmo estando de preceito. Mas tenho certeza que o babálorixá responsável pelo noviço saiba, dentro do seu conhecimento, tratar disso.

Para nós, as 18h00 é uma hora fria, ou seja, possui pouquíssima vitalidade do Sol, que representa dentro da nossa cultura a força e proteção,  e partir desta hora, a noite vai tomando conta e com ela a presença de Iyámim e de Exú, ficam muito mais forte, forças essas que são energicamente diferentes do período que o iyáwò está passando.


O 12h00, que também é tabu, é devido a ser o pico da força do sol, onde nele se reúnem Orixás como Ogum, Opará, Ogunté e outros aspectos guerreiros, por isso também respeitamos esse horário.

Vale Aprender: Porque não deitamos de barriga para cima?

Entre as tantas explicações que já me deram, as que mais me convenceram foi a que, não podemos dar as costas a terra, pois Onilé é um Orixá, por isso também quando morremos, somos enterrados de costas a ela, que significa abandonar o físico. Outra explicação é que o ventre é sagrado, pois gera a vida, então quando dormimos de barriga para cima, deixamos tanto o ventre, quanto o pênis, no caso do homem, vulneráveis.

Assentamentos – Como funciona?

Recebo diariamente várias mensagens sobre a questão de assentamentos (Igbá – vasilhame que guarda os segredos e fundamentos do Orixá). Eu não posso ditar o que é certo ou errado, o que posso fazer é dizer como funciona em nossa casa, o Egbé L’ajò.

Assentamento de Exú:
Exú Orixá, o Bara, é feito ou na iniciação ou na obrigação e um ano. 
Exú Catiço, apenas se houver a necessidade ou indicação do Exú da pessoa.

Igbá de Orixá
Na iniciação, é feito montado o Igbá do Orixá do filho e caso haja necessidade, assentamos os demais, que geralmente acontece assim:
- Iniciação (iberê): Orixá
- 1º Ano (Odun kan): o junto (ojúory)
- 3º Ano (Oxumetá): Etá (terceiro)
- 7º Ano (Odun ejê): O Orixá ancestral (aquele que vem de nossa família)

Igbá Ory
É montado apenas no sete anos, ou se houve a necessidade.

Orixá Ajaláory
É montado para aqueles que vão cuidar de cabeças ou serão células multiplicadoras.

Igbá Odú
É feito caso o filho possua algum tipo de necessidade energética. Exemplo: A vida do filho, mesmo com obrigações, sempre chama confusão, então assenta-se Ofú, para trazer paz, pois essa não é questão de Orixá e sim de energia. 

Outros assentamentos, como Iyámin,Babá Egun e etc, são feitos conforme a necessidade de fundamento de um axé.

Muito axé a todos!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Vale Aprender: O poder do Ofó

O Ofó é uma palavra de origem yorubá (ofò), que designa o encantamento através da palavra, que pode ser expressa por versos ou cantigas. Esse é um dom que já nasce conosco, porém é maximizado na iniciação, por uma série de atos realizados em segredo e conforme o seu comprometimento e respeito pelo Orixá, esse poder aumenta.


Eu sempre digo, quem carrega o axé não pode sair por ai falando o que quer ou praguejando ninguém, pois a terra, o vento, o fogo e água nos ouve e justamente por isso que passamos pelos períodos de recolhimento, para aprender e entender o poder do Orixá, pois mesmo sendo de um culto a natureza, não estamos imune a lei do retorno.

A justiça em nossa religião pertence a Xangô, então não há nada melhor que deixar nas mãos dele os inimigos e certamente nossa honra será sempre preservada. Lembre-se, o Orixá caminha com você e ele tem uma consciência maior, então não se preocupe com o que maldizem de você ou falam por trás, ele certamente está olhando e irá corrigir a situação.

Use o Ofó para desejar graças ao próximo, para pedir saúde e interceder na hora de um grande perigo, não jogue esse dom divino ao vento por besteiras ou pedrinhas do dia a dia. O axé é algo precioso e deve ser usado com prudência, ou então de tanto invocar o espiritual para resolver besteiras, vai chegar uma hora que estará desacreditado e sua palavra não terá valor nem para os homens, nem para os deuses.

Um ótimo dia!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vale Aprender: O que é um acaçá?

No candomblé, durante os ritos, a nossa individualidade é apresentada simbolicamente ao Orun, pelo àkàsà ou como também é chamado o ekó. Outro significado importante é que ele representa a nossa ligação com o Orixá, que como o alimento, deve ser densa, pura e protegida. 

Ele é feito com a farinha de milho ou a canjica branca batida, que levados ao fogo se torna um mingau branco que é colocado ainda quente na folha de bananeira, que chamamos de ewè ogedè, devidamente limpas e passadas na chama do fogo. O dono do ekó, é Oxalá e aceito por todos os Orixás e também pelos ancestrais, esse alimento é usado por todas as nações yorubás e algumas famílias descendentes dos bantus. 

Não é em todo lugar do Brasil ou até mesmo fora dele, que vamos encontrar a folha de bananeira para fazer o ekó, por isso muitas vezes a ewè ogedè é substituída pela folha da mamona, a ewè lárá, ou como certa vez me disse um mais velho, “meu filho quando não há nem uma nem outra, procure uma folha que nasça em um pé que não tenha espinhos”. 

Existem algumas variações do ekó, como o “acaçá de leite” que é preparado como a massa de manjar e geralmente é usado no Bory, o “acaçá vermelho” que é feito com fubá ou farinha de milho amarela e temperado com um pouco de dendê, e ele é muito apreciado por Exú, Ogum e Odé, ou até mesmo o que é feito massa de feijão preto bem cozido, que é usado em alguns ebós, que chamamos de “acaçá preto”. 

Espero que tenham um ótimo dia e que Ogum proteja a família e o lar de vocês!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Fofoca


Uma dúvida que não me sai da cabeça:

- Na fofoca, quem é errado? Quem falou ou o quem parou para ouvir? 

O Candomblé seria muito melhor se cada um tomasse conta do seu Orixá, da sua casa de axé e da sua vida. 

Quando falamos mal do Orixá, estamos indo contra Olorun, 
Quando denegrimos nosso babálorixá, estamos cuspindo no prato que comemos,
E quanto inventamos fofoca dos nossos irmãos, estamos nos abaixando, e como diz o ditado popular, quem muito abaixa, acaba mostrando os fundos.

Tá na hora de crescermos e buscarmos evolução!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Com explicar o que é Candomblé para a família e amigos que não conhecem a religião?


O Candomblé ainda é uma religião que causa estranheza na maior parte das pessoas, isso devido a nossa criação católica, o que a mídia expõe e os tais “ex pai de encosto” que para conseguir fama nas igrejas, inventam histórias sem pé nem cabeça, então decidi escrever sobre isso e ajudar você que está entrando para nossa religião e não tem argumentos para defender sua fé.

- O que é candomblé?
É uma religião de origem africana que cultua a ancestralidade e os elementos da natureza.

- Mas essa religião tem um Deus Principal?
Sim, chamamos de Olorun, o criador e ele nos colocou aos cuidados dos Orixás, que são nossos intermediadores. 

- Mas se existe um Deus, porque não pedir diretamente a ele?
Os Orixás são divindades da natureza, ou seja, são mais próximos de nós e através de sua mitologia, nos educam e nos ensinam a conhecer nossas potencialidades e defeitos. Acreditamos que eles são aspectos do criador.

- E essa história que mata animais?
Se observamos a grande maioria das religiões, vamos encontrar o sacrifico de animais, que tem como objetivo dividir com o Deus o resultado de nosso trabalho. Através da carne comungamos com uma força maior, contudo respeitamos a natureza e só é retirado o que vai ser consumido, tudo é feito mediante a um longo ritual, onde pedimos agò (licença) para retirar aquela vida, que é muito importante, pois é um ser vivo.

- Porque vocês vestem essas roupas engraçadas, se é uma religião africana, porque não usar aquelas roupas tribais?
Nosso culto é de origem africana, porém no Brasil ganhou uma identidade própria, resultado de anos de escravidão e catequização forçada. As saias longas são mantidas dos tempos coloniais, o pano que envolve o seio e o ventre das mulheres, é uma marca das negras da Costa africana, por isso chama-se Pano da Costa e o pano que cobre a cabeça, é usado por acreditamos que a força do Orixá está no Ory, a cabeça, ou seja, uma forma de proteção e destaque.

- E porque essa história de raspar a cabeça?
Na origem, a retira total do cabelo era uma questão de higiene, mas hoje esse ato ganhou mais um contexto, de renascimento, de abdicação da vaidade pela fé, onde buscamos nos religar a nosso Orixá e consequentemente a Deus.

- Mas vocês idolatram o diabo também?
O Diabo é uma figura da mitologia cristã, nós não temos essa força inimiga dentro do nosso culto.

Mas e Exú?
Exú é uma divindade mensageira, ligada a sexualidade e a semelhança da natureza, ele é luz e escuridão, como tudo que existe, inclusive nós, seres humanos. O que aprendemos dentro do candomblé é equilibramos essas forças, pois o que é bom para um não é bom para o outro.

- Se o Orixá é um Deus, porque quando vocês os recebem, se abaixam para os humanos?
O Orixá é uma inteligência superior e como pais, eles dão exemplo, ou seja, quando estão manifestados, demonstram gratidão, humildade e amor aos seus filhos e aos membros da comunidade. Quando ele se abaixa é em sinal de estar colocando seu filho aos cuidados daquele determinado sacerdote, que defende e se dedica a cuidar do seu filho.

- As danças são ensinadas ou eles já vem com elas?
Nossa religião, ficou muito tempo sendo passada apenas oralmente e para guardamos nossa língua e nossa história, usávamos a dança para passar o conhecimento para futuras gerações, por isso parece tão coreografada, é mais uma herança de um povo que foi escravizado e lutou para manter a cultura e religião de seus ancestrais.

Um boa noite!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Falar sem Conhecer

 
Ontem, durante uma consulta, falamos sobre a questão da imagem e de falar de alguém sem conhecer, onde minha consulente, antes de vim à nossa casa, pediu referências minhas a uma outra irmã da religião que também não me conhecia, e a mesma disse:

- Babá Diego? Aquele do Facebook? Aí amiga, é folclore, esse candomblé que ele prega não existe.

Pois é, porque não existe? Porque não pode existir respeito, dignidade e compreensão no culto aos Orixás. Será que é errado tentar levar para o mundo o lado bom de nossa fé? Eu sei que existe muita coisa ruim aí no mundo, mas isso não é só no candomblé e generalizar é um erro.

Por isso eu digo, não julgue sem conhecer, quem vive do meu lado sabe que o que prego aqui, é que eu levo para dentro do Egbé L’ajò e mesmo sabendo que uma casa de axé é feita de pessoas e inevitavelmente iram surgir sempre problemas, tento de todas as formas minimizar isso e colocar o Orixá sempre em primeiro lugar. Tenho filhos ao meu lado de dez, trinta e até cinquenta anos de iniciados no candomblé, acredito que isso já demonstra a seriedade do que é feito em nosso axé.

Pessoas não são números! E hoje eu sei, os Orixás amam seus filhos, e demonstram esse afeto de várias maneiras, uma delas é através de nós, zeladores, esse é o nosso verdadeiro compromisso.

Boa tarde!