sexta-feira, 26 de abril de 2013

Perdidos na Modernidade


No meu post sobre mudança de axé, surgiu uma outra questão muito interessante, como se adaptar as novidades do Candomblé? Em primeiro lugar devemos entender a diferença entre o novo e o pouco praticado. Sabemos que o candomblé passou muitas décadas nas mãos de pequenos grupos fechados e que o acesso a sabedoria do Orixá era muito difícil, afinal era uma religião extremamente família, contudo desde dos anos 80 houve uma expansão do culto e a explosão de novos axés, todos cultuando Orixá, mas cada um com sua marca, com a sua forma de cantar, de dançar e expressar sua fé. Por isso tem muita coisa que não é novo e sim pouco sabido.


É comum ver um mais velho, que tenha mais de trinta anos de iniciado, ter dificuldade em se adaptar com essas “mudanças” e as “modernidades” que surgem a cada dia. Defendo que temos que sim, buscar o melhor, se voltar para nossa crença sem se apoiar em outras religiões, mas com o cuidado de não perder a essência, ou qualquer dia o Orixá não vai mais conhecer seu culto, afinal o comprometimento e o sacrifício que nos aproxima do divino, vem sendo substituído pelos banhos de erva feitos de liquidificador, os kelès comprados prontos ou ainda pior e que já acontece, os yawò feitos em 24h. Agora me diga, como uma pessoa iniciada em três dias, pode aprender alguma coisa? Pode ter alguma noção daquilo que vai carregar? 

Existem preceitos que realmente não condizem com a nossa realidade e como zeladores, temos que ter o bom senso. Por exemplo, se a pessoa trabalha em um lugar que usa uniforme preto, como ela vai fazer? Então se quebra essa “quizila”, mas as exceções e “modernidades” tem limite, assim como as criticas, não é porque algo é diferente que não existe, o certo e errado em nossa religião é determinado pelo seu axé, pelos costumes da casa de seu pai, de seu avó... Orixá é um deus próximo e vivo e o maior erro que o ser humano pode cometer é achar que o domina ou pode fazer o que quiser, esquecendo que somos o tempo todo assistidos pelos nossos ancestrais, que lutaram para guardar e proteger os segredos do axé, que hoje são tratados, por muitos, como meras superstições.

Uma ótima tarde.

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