terça-feira, 1 de julho de 2014

Iyawò também tem seus direitos!


O iniciado ao Orixá precisa ter em mente que o candomblé é uma religião apoiada na hierarquia e como uma comunidade religiosa terá seu código de conduta, seus direitos e deveres, porém vejo que tais regras estão ao longo do tempo, deturpadas pelas mãos de pessoas despreparadas que aplicam suas próprias leis em nome do Orixá. O candomblé tem fundamentos e explicações para tudo que se é feito ou imposto, não precisamos “criar” ou modificar o culto, basta colocar em prática o que nos é passado, obviamente com bom senso. 


O Iyawò antes de pertencer ao egbé, é um cidadão e acima de tudo, um ser humano e merece ser respeitado, preparado e orientado. A casa de axé que usa de violência ou invoca energias negativas para conduzir seus filhos, estará fadada ao esquecimento dos homens e dos deuses, pois o poder da fé está em modificar o homem pelo bem e não pelo medo ou pela dor. Eu atendo muitas pessoas com trinta, quarenta e até cinquenta anos de iniciados que se afastaram da religião por ver atitudes imprudentes e infundadas e que hoje, graças a Olorun, estão voltando às casas de Orixá, por notarem que a consciência está mudando para melhor.

O noviço terá sete anos para alcançar a maioridade espiritual, tomando suas obrigações de um, três e sete anos, entretanto, não é apenas ir ao axé para cumprir seus aniversários, o iyawò precisa participar da casa do seu Orixá, vivência todas etapas evolutivas para realmente alcançar a posição de egbomy. Seja qual for sua nação, não existe fé sem sacrifício e dedicação, se é para seguir por seguir, então é melhor você nem entrar no candomblé, pois o que transforma sua vida é seu comprometimento e atitudes.

Você iyawò, não aceite abusos de nenhum tipo, busque estar em dia com sua casa, contribua, ajude, lute por sua fé e viva plenamente o candomblé. E quando alguém te chamar de iyawò de forma pejorativa, diga:

“Sou Iyawò sim, com muito orgulho, pois eu tenho idade, mas o que eu carrego, o meu Orixá, NÃO!”

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