sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Aprendizado na Casa de Candomblé


Minhas últimas postagens geraram uma certa polêmica, onde muitos omo-Orixás reclamaram que questionar parece algo ruim ou proibido ao iyawò e também que os zeladores de hoje em dia não explicam nada, por isso acabam tendo que procurar em outras fontes. Outro ponto que me deixou assustado foi o fato da figura de iyawò ser ligada sempre aos afazeres domésticos e ao “serviço sujo”, por isso decidi fazer esse post para esclarecer alguns pontos e tentar ajudar meus irmãos zeladores e aos recém iniciados.


Em casa, cada orò, cada “cantiga nova” ou ato é explicado, eu paro, sento e digo o que vou fazer e porque vou fazer, criei a apostila de rumbè baseada em minha vivência, pois só se pode dar aquilo que recebeu, assim como o iyawò quando é iniciado sabe seu Orunkó, tradução, qualidade, cantiga do Orixá e sassanha de seu santo, contudo há aqueles que não tem interesse e por mais que se explique não querem aprender, mas eu fiz minha parte e tenho a consciência tranquila.

O que precisamos entender é que seja dentro ou fora da casa de axé, para construir uma estrada segura, precisamos começar de baixo, do básico, como limpar uma casa de axé, como tirar uma pena de um bicho, infelizmente a maioria dos barracões não tem pessoas remuneradas para fazer esse tipo de coisa, que no meu ver, não humilha ou menospreza ninguém. Eu mesmo sendo zelador e com muitos filhos iniciados, coloco a mão na massa, pois não estou fazendo para mim ou para qualquer pessoa, estou fazendo para o Orixá, para quando passe por minha casa, veja que está zelada, limpa e organizada e com certeza meu lar será abençoado.

O problema não é a informação e sim como você vai lidar com ela, antes de mais nada temos que respeitar quem nos ensinou, pouco ou muito, aquela pessoa parou sua vida para lhe transmitir conhecimento e se você acha que não serve ou não serviu, guarde para você, pois aos outros isso nada interessa. 

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Entrevista para TV Alto Astral