quinta-feira, 5 de junho de 2014

Bons Resultados no Candomblé


Nossa religião é baseada na simbologia, cada elemento é importante e garantem bons resultados na nossa vida, que se reflete na saúde, prosperidade, amor, família e principalmente paz interior.


Entretanto o que dá sentido a cada coisa é o coração, sua fé. Uma trança de palha costa é apenas um enfeite, se não for passado no banho de ervas, rezado, não terá o “axé” de proteger você contra os maus espíritos, por exemplo. Vejo que muita gente entra para o axé com a ilusão de que apenas comprando suas coisas ou dando a sua presença, tudo vá se resolver como em um passe de mágica, quem pensa em entrar para o candomblé precisa estar ciente que sua conduta e determinação serão colocados em prova, além de ter que lidar com a correção do universo, pois estamos o tempo todo louvando e pedindo transformação, mas será que estamos preparados para receber essas mudanças?

Vejo pessoas que não acordam cedo para procurar emprego, reclamando do desemprego.

Vejo pessoas que não se esforçam para se socializar, reclamando da falta de amigos.

Vejo pessoas que reclamam de seus zeladores, mas ao menos vão a casa de axé saber se ele está precisando de algo.

Vejo zeladores que falam mau de seus filhos, mas que nunca tentou perguntar a eles o que está acontecendo, se estão bem.

Como eu sempre digo, eu me espelho nos antigos, mas sou de um candomblé novo, uma crença fundamentada, onde cada ato tem seu simbolismo e que principalmente não acredita no fanatismo, nem que tudo é culpa do Orixá ou de “demanda”. Vamos parar, refletir e antes de achar um “bode expiatório”, olhar nossa postura perante a nossa vida e nossas atitudes, pois só assim conseguiremos alcançar bons resultados na nossa religião.

Eu cresci em uma casa de candomblé, vendo gente pulando de galho em galho, sempre alcançando os mesmos resultados, pois tinham os mesmos comportamentos.

Uma boa tarde e que Oxossi esteja conosco.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

10 Regras de Conduta e Comportamento do Egbé L'ajò

Dez Regras que contém informações importantes para todos que queiram agregar a família Egbé L'ajò, isso pois valorizamos a transparência e nada melhor do que deixar as regras bem claras.


1º Tanto o abyan (não iniciado), quanto quem chega no Egbé L’ajò para tomar obrigação tem três meses para se adaptar, isso quanto a vestuário, comportamento e etc. Para isso é necessário o empenho dos mais velhos para ensinar, assim como é igualmente importante a boa vontade de quem estar chegando para aprender.

2º Não adiantamos obrigação (ajodun), aqui se toma um, três e sete anos na data correta, após se tornar um egbon (mais velho), se comemora todos os anos o aniversário do seu Orixá, onde você oferta parte da sua colheita anual, ou seja, damos aquilo que recebemos. Isso vale para todos, yawòs, ekedys, ogans e demais cargos.

3º Quem Olorun determinou a ser zelador(a) de Orixá, já nasce com o dom, porém deve ser lapidado conforme os ensinamentos do axé, portanto filhos do Egbé L’ajò só iniciam pessoas no culto sem o nosso acompanhamento, após seu Oyè. 

4º Qualquer roupa ou objeto emprestado da casa, deve ser entregue como foi e nas mãos de quem foi retirado, essa nem é uma questão de axé e sim de educação. Assim como algo que é foi quebrado deve ser reposto.

5º A manutenção da casa é dos filhos, quem não pode colaborar com dinheiro, colabora com trabalho, pois sempre precisamos de ajuda para manter a ordem e a limpeza no terreiro.

6º Pelo volume de pessoas durante as funções, temos contas pesadas de água e luz, então economize, nada de deixar a luz acessa nem a água derramando sem necessidade, lembre-se que são as suas doações que mantem a casa.

7º Não faça comentários ou postagens desagradáveis que possam gerar conflitos nas redes sociais, você representa um axé e carrega o nome do Egbé L’ajò e isso demanda responsabilidade, você expondo sua família de axé, acaba denegrindo sua própria imagem. Cada um tem direito de ir e vir, mas quem fala o que quer, ouve o que não quer, além de ter que assumir e provar legalmente o que está sendo afirmado.

8º Em nossa casa temos a Ficha de Reclamação, um documento onde o filho pode dissertar sobre sua insatisfação, esse documento será lido pelo Babá Diego e será tomada uma medita corretiva.

9º Ninguém é obrigado a se iniciar no Orixá ou tomar obrigação no Egbé L’ajò, mas se assim decidir, tenha em mente que cobraremos uma postura séria e respeitosa, quem “faz santo” já sabe antecipadamente que irá ter que seguir regras de convivência, respeitar a hierarquia e estar presente nas obrigações da casa (Águas de Oxalá, Festa de Ogum e Oxossi, Festa de Xangô, Olubajé, Festa das Iyábas e Festividade do Orixá da Casa), em casos de não conseguir participar das funções precisa justificar a ausência.

10º Em nossa casa possuímos duas lideranças religiosas, a Iyá Rose de Oxum que é filha de Babá Nivaldo e Babá Diego que é filho do Babalorixá Toninho, onde seguimos os costumes e tradições da nação Ketu, porém como toda casa de axé, temos particularidades e não nos apoiamos em qualquer outra casa para fazermos nosso candomblé. Respeitamos as casas matrizes e a hierarquia, porém construímos nosso próprio nome. Deixo isso claro, para que todos fiquem cientes que assumimos total responsabilidade sobre o que é praticado em nosso axé.

Atenciosamente,

Diretoria do Egbé L’ajò

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Fan Page


Estou recebendo um número considerável de mensagens e e-mails, onde amigos e seguidores da minha página estão me perguntando o motivo pelo qual eu só tenho a Fan Page e como o relacionamento que eu tenho com as redes sociais é transparente, vou explanar sobre o assunto.


Esse ano, completam oito anos que escrevo sobre candomblé, passei pelo Orkut, MSN, Blog, Site, Rádio até chegar no Facebook. Como tudo que é feito com dedicação, a mensagem de um candomblé bom e que busca o esclarecimento acabou se alastrando pelo Brasil e fora dele. Eu mantinha quatro páginas do Facebook, Blog (Terra dos Orixás) e Site (Terra dos Orixás), sem falar das funções religiosas no Egbé L’ajò, faculdade e etc. Com uma agenda cheia de compromisso, não estava mais conseguindo fazer a manutenção de todas essas páginas, por isso, decidi concentrar minhas atenções em uma única página, que é https://www.facebook.com/baba.d.ode.

Meu intuito é levar o esclarecimento ao povo de axé, pois só com ordem conseguiremos progresso em nosso culto, que é maravilhoso, porém que ainda é deturbado por pessoas sem preparo e sem responsabilidade com aquilo que se propõe a fazer. Outro ponto importante destacar é que com a Fan Page, eu também consigo obter dados administrativos me servem de termômetro, assim eu consigo traçar um diagnóstico sobre o que mais chama atenção do povo de axé, quais são as maiores dúvidas e etc.

Eu acredito que o meu papel nesse mundo é levar a palavra do Orixá e graças a Olorun, hoje contamos com ferramentas como a internet que podem ser usadas para o bem, obviamente que há mistérios e segredos do nosso culto que só são aprendidos na prática. 

Espero que todos tenham uma ótima semana e que Ogum e Oxossi abençoe cada lar, cada família e cada omo-Orixá.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Confiança no Candomblé


A confiança do povo de axé é abalada constantemente pela falta de informação, pelos oportunistas que se aproveitam das fragilidades das pessoas para tirar proveito, entre outras coisas. Em contra partida, as casas que possuem fundamentação, sérias, fecham suas portas para quem não tem condições, poucas são as que acolhem igualmente ricos e pobres.


Entretanto, isso não pode nos afastar do Orixá, é preciso nos levantar em pró a comunidade e esse é o desafio da nova geração do candomblé, que tem como obstáculo, muitas vezes, a hierarquia opressora e a cultura do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Poucos foram os “antigos” que se preocuparam em deixar um legado organizado e para todos. 

Portanto, pensando no futuro, decidi destacar algumas qualidades que o novo Zelador de Orixá precisa ter para alcançar o sucesso no novo candomblé, e são:

- Ser Abençoado: Não adianta querer ser pai de santo, é necessário ser indicado pelo Orixá e ser portador de axé. Estimo que apenas 5% dos iniciados na religião dos Orixás, realmente nasceram com o dom de zelar de cabeças.

- Preparado: Ter dom é maravilhoso, porém é preciso se preparar para o mundo, para ministrar os ritos, para aconselhar e orientar os filhos dos Orixás. E isso acontece dentro da casa de axé. Livros e apostilas servem para quem já tem base sólida e sabe diferenciar o que é condizente ou não com sua raiz e com seu axé.

- Responsável: Não só com o Orixá, mas com os filhos, com a sociedade e com a natureza. Cuidar e lidar com pessoas não é nada fácil. Pai de santo que dorme com filho de santo, que impõe ao outro o que não faz, que grita, humilha, usa drogas e etc, não terá vez no novo cenário. 

- Confiante: É um ingrediente necessário, pois ingratidões e decepções faz parte do nosso cotidiano, se você não tiver confiança no Orixá, na sua capacidade e no seu povo, irá perder a Fé e vai acabar com muitos, fazendo por fazer, sem amor, nem entusiasmo.

Pensem nisso, vamos fazer um Candomblé do bem, com amor e comprometimento, afinal o Orixá merece!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Preceito de Iyáwò: Sair na Rua após anoitecer

Esse é um preceito que parece ter caído no esquecimento de muitas casas e associo que isso vem acontecendo devido a questão do iyáwò precisar trabalhar mesmo estando de preceito. Mas tenho certeza que o babálorixá responsável pelo noviço saiba, dentro do seu conhecimento, tratar disso.

Para nós, as 18h00 é uma hora fria, ou seja, possui pouquíssima vitalidade do Sol, que representa dentro da nossa cultura a força e proteção,  e partir desta hora, a noite vai tomando conta e com ela a presença de Iyámim e de Exú, ficam muito mais forte, forças essas que são energicamente diferentes do período que o iyáwò está passando.


O 12h00, que também é tabu, é devido a ser o pico da força do sol, onde nele se reúnem Orixás como Ogum, Opará, Ogunté e outros aspectos guerreiros, por isso também respeitamos esse horário.

Vale Aprender: Porque não deitamos de barriga para cima?

Entre as tantas explicações que já me deram, as que mais me convenceram foi a que, não podemos dar as costas a terra, pois Onilé é um Orixá, por isso também quando morremos, somos enterrados de costas a ela, que significa abandonar o físico. Outra explicação é que o ventre é sagrado, pois gera a vida, então quando dormimos de barriga para cima, deixamos tanto o ventre, quanto o pênis, no caso do homem, vulneráveis.

Assentamentos – Como funciona?

Recebo diariamente várias mensagens sobre a questão de assentamentos (Igbá – vasilhame que guarda os segredos e fundamentos do Orixá). Eu não posso ditar o que é certo ou errado, o que posso fazer é dizer como funciona em nossa casa, o Egbé L’ajò.


Assentamento de Exú:
Exú Orixá, o Bara, é feito ou na iniciação ou na obrigação e um ano. 
Exú Catiço, apenas se houver a necessidade ou indicação do Exú da pessoa.

Igbá de Orixá
Na iniciação, é feito montado o Igbá do Orixá do filho e caso haja necessidade, assentamos os demais, que geralmente acontece assim:
- Iniciação (iberê): Orixá
- 1º Ano (Odun kan): o junto (ojúory)
- 3º Ano (Oxumetá): Etá (terceiro)
- 7º Ano (Odun ejê): O Orixá ancestral (aquele que vem de nossa família)

Igbá Ory
É montado apenas no sete anos, ou se houve a necessidade.

Orixá Ajaláory
É montado para aqueles que vão cuidar de cabeças ou serão células multiplicadoras.

Igbá Odú
É feito caso o filho possua algum tipo de necessidade energética. Exemplo: A vida do filho, mesmo com obrigações, sempre chama confusão, então assenta-se Ofú, para trazer paz, pois essa não é questão de Orixá e sim de energia. 

Outros assentamentos, como Iyámin,Babá Egun e etc, são feitos conforme a necessidade de fundamento de um axé.

Muito axé a todos!

Crescer ouvindo que o Candomblé não era para mim foi o meu primeiro terreno de provações. Familiares e amigos pintavam o preconceito na pare...