terça-feira, 10 de novembro de 2015

Série Orisás: Odé - A fome do caçador, a dor da caça

(Textos baseados naquilo que vi e vivi)
Senhor da caça como seu próprio nome já demonstra, Odé(caçador), tem seu culto muito difundido no Brasil, e é presente em todas as nações africanas. É senhor da flora e da fauna, da fartura e protege aqueles que ajudam a estruturar a sociedade e buscam evolução, os pensadores, os ambientalistas, os professores, os veterinários, os agropecuários e etc. Um fato muito interessante é que Odé protege tanto o caçador quanto a caça, costumo explicar aos meus filhos que ele sente a fome do caçador e a dor da caça abatida, por esse motivo as mortes e sacrifícios desnecessários provocam a ira desse Orisá. 
A Odé ou como também é chamado, Oxossi, título que recebeu na famosa ítan(lenda) onde mata o grande pássaro que apavorava o povo de Ketu. É patrono das nações jeje-nagô, aliás, hoje nossa nação Ketu, recebe esse nome pela boa fama e prosperidade que tinham as casas onde Odé era patrono ou fundador. Outro ponto que demonstra sua liderança e na ítan de Odé e Osún, encontro que resultou no nascimento de Ològúnedé, que nos faz refletir sobre a vaidade, representada por Osún, que encanta e cega Odé quando se banha de mel e envolta em folhas, mas é traída pelo seu próprio elemento, a omi(água), ou seja, um líder não pode se deixar levar pela vaidade oculta, assim como os vaidosos serão traídos pela própria essência, porém o enlace gera um fruto, o equilíbrio entre o poder coletivo (Odé) e o individualidade (Osún). 
O senhor da prosperidade é um bom pai, carinhoso, amável e nunca deixa seus filhos perdidos, por mais que os encantos da vida possam nos desvirtuar do caminho, afinal somos sonhadores e muitas vezes até mesmo inocentes, assim como nosso pai Odé foi encantado por Òsónyìn e foi capaz de rejeitar a própria mãe, Yemonjá, mas que foi resgatado por seu irmão Ogún, que no final entende que para manter seu irmão perto teria que deixa-lo livre, como um pássaro.
Odé nos ensina que para ser líder, o OUTRO, sempre vem antes do EU, pois somos parte de um único sistema vivo, como células e cada ação precisa ter um um sentido, assim como cada vida é importante, seja ela a minha, a sua ou de uma folha.
Muito asé,
Babá Diego de Odé
terradosorixas@hotmail.com

Um comentário:

Edson de Oxossi disse...

Benção pai! Belíssimo texto. Aprendendo sempre.

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