segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Série Orisás – Òbà


(Texto baseado no que vi e vivi no Candomblé)
A guerreira Òbà é um dos mais enigmáticos Orisás do panteão africano, isso devido a grande confusão que se fez a compará-la a uma “qualidade” de Oyá, contudo sabemos que Òbà é um Orisá próprio, com sirè, hún, orò e demais mistérios que fazem de seu culto, hoje fortalecido, um dos mais belos, quentes e fortes atos. 
Òbà é filha de Yemonjá e uma das netas mais queridas de Olokún, por seu gênio forte, recebeu o poder de invocar maremotos e grandes ondas. O Orisá que veste coral e vermelho claro, quase alaranjado, aparece como figura central na formação da sociedade das Geledé, formado pelas Iyábás que lutavam pelo fortalecimento do poder feminino. Como diz os antigos, Òbà é fogo sobre água, é gamela que braseiro não queima, é a mulher de confiança do rei.
Esposa de Sangò, foi por ele rejeitada após ofertar a própria orelha como prova de seu amor incondicional, porém se tratava de uma artimanha de Osún, por isso até hoje cobre a orelha esquerda. Òbà carrega a adága (espada), o escudo (onigbejá), o arco e flecha unidos (ofá) e a lança (ikó), símbolos masculinos de força, guerra e caça, pois Òbà sempre lutou para se igualar ao guerreiro mais forte que houvesse, porém ao desafiar Ogún, acabou sendo enganada em uma armadilha feita com a baba do quiabo e ao escorregar foi dominado por Ogún.
Òbà é protetora da mulher forte, que é marcada por um coração machucado pelo amor e pela rejeição, mas que não desiste da luta, que acorda cedo e vai para batalhar. Suas filhas são fortes, tímidas e valentes, quando casadas acabam carregando a relação nas costas, pois estão a frente, direcionando, conduzindo e zelando por seus lares e filhos.
Muito asé,
Babá Diego de Odé
(Mande sugestões pelo terradosorixas@hotmail.com)

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